México consegue deter leilão de peça pré-hispânica na Áustria

México consegue deter leilão de peça pré-hispânica na Áustria

O governo do México conseguiu impedir o leilão de uma peça arqueológica, após identificá-la como parte de seu patrimônio cultural – informou seu Ministério das Relações Exteriores, em um comunicado divulgado na quinta-feira (10).

Trata-se de uma peça em rocha que representa um ser fantástico do período Clássico Mesoamericano (400-900 d.C.) do estado de Veracruz (leste). O artefato seria leiloado amanhã pela galeria Zacke, que concordou em retirá-lo de seu catálogo.

“A Embaixada do México na Áustria informou que, como resultado das gestões do governo do México, uma peça arqueológica mexicana foi retirada do catálogo de um leilão”, anuncia o comunicado da Chancelaria.

De acordo com as leis mexicanas, toda a peça arqueológica deve ser protegida como parte de seu patrimônio cultural.

“Em um gesto de empatia e de responsabilidade corporativa, os representantes da casa de leilões se ofereceram para entrar em contato com os donos da peça, com a intenção de facilitar a entrega voluntária”, acrescenta o ministério.

O governo mexicano está fazendo uma ativa campanha na Europa e nos Estados Unidos para identificar peças arqueológicas que são comercializadas por diferentes galerias.

Nos últimos meses, o México conseguiu impedir um leilão na Itália e, em fevereiro, dois holandeses devolveram à embaixada mexicana 17 peças arqueológicas há 30 anos em sua coleção.

Estes esforços não foram suficientes, porém, para impedir o leilão de cerca de 30 peças na galeria francesa Millon, em 28 de janeiro deste ano.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, chamou de “imorais” os leilões de peças arqueológicas e pediu que sejam banidos em todo mundo.

Ele também criticou a Áustria, que mantém em seu poder, há séculos, uma pluma asteca (coroa de penas) que teria pertencido ao imperador Moctezuma (1502-1520) e que outros governos mexicanos já tentaram recuperar ou, pelo menos, levar para o país para uma exposição.

Em 2020, a Áustria negou em 2020 um pedido de López Obrador para ter a peça na qualidade de empréstimo. Como justificativa para sua rejeição, alegou que sua fragilidade complica sua transferência, o que foi duramente criticado pelo presidente mexicano.

O governo mexicano afirma que conseguiu recuperar cerca de 6.000 peças arqueológicas retiradas ilegalmente do país.