As mensagens de WhatsApp do banqueiro Daniel Vorcaro que tiveram sigilo quebrado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) revelam as relações entre o proprietário do Banco Master e os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI).
Vorcaro voltou a ser preso preventivamente pela Polícia Federal na quarta-feira, 4, na Operação Compliance Zero. O banqueiro é suspeito de liderar uma organização criminosa envolvida em fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e intimidação de críticos.
Encontro com Motta
Em mensagem enviada em 2 de outubro de 2024 a sua namorada, Martha Graeff, o dono do Banco Master disse estar em “jantar na residência oficial” do presidente da Câmara, junto de “seis empresários”. “Não consegui sair pra atender”, afirmou à namorada.
Ciro Nogueira é ‘grande amigo de vida’
No dia 17 de maio de 2024, Vorcaro se referiu a Ciro Nogueira como um de seus “grandes amigos de vida” e disse desejar apresentá-lo à namorada.
Em 13 de agosto, o banqueiro comemorou um projeto do senador. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro“, escreveu. A data coincide com a da emenda à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de autonomia financeira do Banco Central, apresentada pelo piauiense, para aumentar o valor coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.
A cobertura do FGC era uma das principais estratégias do Master para alavancar os investimentos em seus CDBs (Certificados de Depósitos Bancários). O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez.
A PF ainda encontrou menções de pagamento a uma pessoa de nome “Ciro” nas conversas de Vorcaro com seu cunhado, Fabiano Zettel, considerado seu operador financeiro. Em maio de 2024, Zettel enviou ao banqueiro uma lista pedindo autorização a diversos pagamentos a serem feitos. “Preciso que me ordene as prioridades. […] 2. Pagamento pra Ciro”, escreveu. O banqueiro, então, autorizou os repasses.
A investigação ainda não obteve os dados bancários para verificar que pagamento foi esse e se de fato o destinatário era o senador ou algum outro amigo de Vorcaro com o mesmo nome.
*Com informações de Estadão Conteúdo