Menos é mais: O movimento de ascensão do ‘slow travel’

Crédito: Divulgação

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A loucura de um pacote turístico que propõe conhecer cidades inteiras em 48 horas. Correr, dormir pouco, tempo cronometrado para cada ponto sugerido no mapa. Férias sem sentir. Qual o propósito da pressa? Será que ainda há reflexão sobre nossas necessidades ou sobre nossos desejos de conhecer um lugar ou será que é só porque alguém recomendou, ou o destino acabou virando moda do momento nas redes sociais?

A pressa já é a sombra de nossas vidas. Tentar fazer tudo de uma vez sem concepção nenhuma dos limites e das causas que isso nos traz já não combinam com a experiência de conhecer lugares novos e viajar.

É claro que a proposta não vem da ideia de longas férias mesmo porque já é um privilégio no momento atual ter um mínimo de tempo e de dias para viajar, sem citar os quase dois anos de enclausuramento necessários por conta da pandemia.

Mas a questão são aqueles roteiros loucos, que muitas vezes nós mesmos montamos, que nos limita a seguir itinerários pré-definidos sem nem realizar algo além do turismo propriamente dito. Pegar a estrada para algum destino próximo ou para outro país, talvez seja muito mais recompensador quando você escolhe entender o que é mais importante pra você.

O conceito de slow travel sugere um modo de viajar mais profundo. Surgiu do movimento do slow food, que enfatiza alimentos locais e orgânicos sustentáveis ​​e valoriza as tradições artesanais. E pra falar a verdade, não é nada novo se lembrarmos por exemplo, das rotas de peregrinação do Caminho de Santiago na Espanha, que perdura há séculos. 

Essas viagens mais conscientes envolvem visitar menos lugares e, às vezes, transitar mais devagar, com transporte local como metrô, trem, bicicleta, ou a pé.

Além disso, enfatiza conexões importantes com a cultura local, gastronomia e pessoas. Para isso, a ideia principal é não colocar aqueles montantes incontáveis de pontinhos em seu mapa ou aquelas listas que amigos te enviam de lugares que devem ser visitados. “Imperdíveis”. O imperdível é definido por você. Antes de pontuar um lugar a ser visto,  questione o ‘porquê‘ você quer ir até ele. 

As dicas de viagem em blogs acabam provocando uma imensa ansiedade. “Aquele restaurante daquela série que você ama”. “Aquela rua onde filmaram a cena do icônico filme do diretor famoso”. Todos já caíram nessa armadilha.

Estive em Paris na semana passada e todos os dias em frente ao lugar onde eu alugava minha bicicleta havia uma doceria (igual a todas as outras do mesmo quarteirão) com uma fila quilométrica. “Mas o que acontece ali?” – Perguntei. “Ah, é onde foi filmado Emily in Paris.” Pasme. 

Após mais de um ano sendo forçados a olhar para dentro, todos nós percebemos o valor e o impacto de nossas ações, tanto globalmente em termos de Covid, como humanos infringindo o habitat, e como tratamos as pessoas ao nosso redor, ou como decidimos gastar dinheiro e tempo. A questão é sempre perguntar: “Faz mesmo sentido?”. 


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Sobre o autor

Flavia Vitorino é jornalista e turismóloga especialista em destinos e viagens de natureza. Diretora de conteúdo do aplicativo LYFX e agente de viagens pela GO Escape.


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