Membros do PL criticam defesa de Bolsonaro por esforço em prisão domiciliar

Para correligionários do partido, advogados deveriam participar ativamente das negociações envolvendo a saída do ex-presidente da Papudinha e não apenas enviar pedidos ao STF

Bolsonaro golpe
Ex-presidente Jair Bolsonaro durante interrogatório no STF Foto: Fellipe Sampaio/STF

Membros do Partido Liberal (PL) têm criticado a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pela falta de articulação em prol da prisão domiciliar dele. Na visão de correligionários da legenda, falta mais empenho dos advogados nas articulações com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro está preso desde novembro, após tentar romper a tornozeleira eletrônica imposta pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele chegou a ficar detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, mas foi transferido para o Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista.

Como mostrou a IstoÉ, a prisão domiciliar do ex-presidente está “amadurecida”. Emissários do ex-presidente intensificaram as negociações para viabilizar o benefício. As articulações são encabeçadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Outros aliados também têm atuado pela concessão da prisão domiciliar, mas articulam nos bastidores.

Correligionários do PL avaliam que os advogados do ex-presidente poderiam ter mergulhado nas negociações. Na avaliação deles, a ida de Bolsonaro para casa poderia ter acontecido antes mesmo da transferência dele para a Papudinha.

Advogados Jair Bolsonaro Paulo Amador Cunha Bueno e Celso Vilardi

Paulo Amador Cunha Bueno, à frente, e Celso Villardi durante primeiro dia de julgamento do inquérito da trama golpista no STF

Mesmo sem a colaboração direta da defesa, bolsonaristas avaliam haver ao menos cinco votos favoráveis à prisão domiciliar no STF. Além de Kássio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro à Corte, os ministros Luiz Fux, Dias Toffoli e o decano Gilmar Mendes estão inclinados a votar pela domiciliar.

Apesar da sinalização favorável, os magistrados apenas darão a oportunidade ao ex-presidente mediante um “amadurecimento” nas relações com os bolsonaristas. Em suma, aliados do ex-presidente deverão cessar, ou ao menos reduzir, os ataques à Corte e seus integrantes, principalmente membros da família, como o pré-candidato à presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL).