Investigação aponta uso de heliponto do governo de SP por operador do PCC

João Gabriel Yamawaki, suspeito de lavar dinheiro para a facção criminosa, utilizou a estrutura do Palácio dos Bandeirantes em 2022; operação bloqueou R$ 513 milhões

Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo investiga a utilização do heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do Poder Executivo paulista, por João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as apurações da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, o pouso ocorreu em março de 2022, durante a gestão de João Doria (sem partido).

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Os investigadores indicam que a autorização para o uso do espaço foi obtida por intermédio de Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André, suspeito de atuar como articulador político da facção. O deslocamento teria como destino o Estádio do Morumbi. Yamawaki, ligado à instituição financeira 4TBank, está preso desde março por tráfico de drogas.

Na segunda-feira, 27, agentes cumpriram quatro mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em cidades de São Paulo, Goiás, Paraná e no Distrito Federal. A Justiça decretou o bloqueio de R$ 513 milhões em contas e bens dos investigados. Durante a operação, foram apreendidos documentos, computadores e veículos.

Infiltração em prefeituras

O inquérito, que é um desdobramento da Operação Decurio, aponta tentativas da facção de se infiltrar na administração pública. Em Campinas, o grupo pretendia utilizar o 4TBank para gerir tributos municipais, como o IPTU. A proposta previa que os valores pagos por contribuintes fossem administrados pela financeira ligada ao PCC em vez da prefeitura.

O delegado Fabrício Intelizano afirmou ao g1 que as investigações identificaram uma estrutura voltada à infiltração em esferas do poder público para conferir legalidade aos recursos provenientes de atividades ilícitas.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou que as investigações identificaram uma estrutura sofisticada que não apenas visava lucrar com atividades ilícitas, mas também se infiltrar em esferas do poder público para potencializar os ganhos e dar aparência de legalidade aos recursos.

À IstoÉ , a Prefeitura de Campinas reforça que não há relação entre as apurações da Polícia Civil e a atual administração municipal. “A Prefeitura de Campinas informa que a operação policial divulgada nesta segunda-feira não tem relação com a atual administração municipal. A Prefeitura reforça seu compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração com as autoridades sempre que necessário”, diz a nota.

A reportagem também procurou a Câmara de Santo André, mas não obteve resposta até o momento desta publicação.