Meloni pede mais tempo para avaliar entrada da Itália em ‘Conselho de Paz’

ROMA, 21 JAN (ANSA) – A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o governo precisará de mais tempo para avaliar se o país irá integrar ou não o controverso “Conselho de Paz” proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria como missão supervisionar a gestão e a reconstrução da Faixa de Gaza.   

Apesar de adotar cautela em relação ao tema, a chefe de governo italiana avaliou que não seria sensato descartar totalmente a iniciativa, acrescentando que Roma está “aberta e interessada” na proposta.   

“A Itália está aberta, disponível e interessada. No entanto, para nós, existe uma questão de compatibilidade constitucional [artigo 11], pois a leitura do estatuto revelou alguns elementos incompatíveis com a nossa Constituição. Isso certamente não nos permite assiná-lo. Contudo, precisamos de mais tempo; há trabalho a ser feito, mas minha posição continua sendo de transparência”, disse Meloni em entrevista à emissora Rai.   

A premiê citou dois principais motivos para manter a abertura ao Conselho de Paz idealizado pelo magnata americano. Até o momento, França, Dinamarca, Noruega e Suécia já anunciaram que não participarão do projeto.   

“Em primeiro lugar, a Itália pode desempenhar um papel único na implementação do plano de paz para o Oriente Médio e na construção da visão de dois Estados. Em segundo lugar, de modo geral, não considero uma escolha inteligente para a Itália e para a Europa se excluírem de um órgão que é interessante”, avaliou.   

Ainda sobre o tema, Meloni afirmou não acreditar que o órgão proposto por Trump seja capaz de substituir a Organização das Nações Unidas (ONU), que classificou como “muito consolidada” no cenário internacional.   

Trump convidou dezenas de líderes mundiais para o seu Conselho de Paz, organismo que teria como objetivo supervisionar a gestão e a reconstrução de Gaza, porém que não se limitaria ao enclave palestino e poderia também atuar em outros locais de conflito.   

A falta de clareza sobre seus objetivos e a abrangência de convidados levantou temores de que o republicano estaria tentando criar uma espécie de ONU paralela, dado que o presidente americano é crítico feroz das Nações Unidas e de suas instituições.   

Segundo a Casa Branca, cerca de 35 países já aceitaram o convite, sobretudo aqueles alinhados a Trump, como Argentina, Israel e Hungria, porém ainda não há uma lista oficial.   

Groenlândia e Europa – Meloni afirmou que não se surpreendeu com as declarações de Trump sobre a Groenlândia e destacou que o republicano descartou uma opção militar para resolver a questão.   

Segundo a premiê, uma eventual invasão dos EUA à ilha ártica sempre lhe pareceu extremamente “irrealista”.   

“Na minha opinião, é uma questão que, como já disse muitas vezes, deve ser tratada no âmbito da aliança atlântica. Essa é uma competência da Otan, e a Groenlândia deve ser considerada um território da aliança. Todo o Ártico está se tornando uma área estratégica, e certamente existe o risco de que não haja presença e controle suficientes sobre as matérias-primas nesses territórios”, avaliou.   

Por fim, Meloni afirmou que parte das tensões entre Washington e a União Europeia foi desencadeada por uma “falta de comunicação que precisa ser restabelecida” rapidamente. (ANSA).