A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, declara nesta quinta-feira (6) que continuará apreciando a obra do cantor e compositor Francesco Guccini, morto aos 86 anos. A manifestação ocorre apesar de Guccini ter sido um crítico público de sua gestão política e de suas ideias ao longo dos anos.
Em nota oficial, Meloni destacou a relevância da obra de Guccini, considerado um dos grandes nomes da música folk italiana do século 20, e afirmou nutrir profunda admiração por suas canções. O posicionamento da premiê sublinha uma separação entre arte e ideologia pessoal.
Meloni declara que cantará músicas de Francesco Guccini, falecido aos 86 anos, apesar das críticas do artista à sua atuação política.
- A primeira-ministra italiana ressaltou a importância da obra de Guccini na formação cultural e ideológica de gerações.
- Ela defende a liberdade de apreciar a cultura independentemente das divergências políticas ou ideológicas.
“Francesco Guccini deu voz às inquietações e aos ideais de gerações de italianos. Eu sempre amei profundamente a sua música e as suas canções”, declarou a premiê. Sua fala reforça o legado duradouro do artista na cultura do país.
Meloni disse conhecer de cor muitas das letras do artista, que classificou como “esplêndidas, poéticas e líricas”, e citou “Cirano” e “Cristoforo Colombo” como algumas das composições mais belas e profundas da música italiana. Segundo a líder italiana, Guccini também teve influência na formação de seus próprios ideais.
É possível separar arte de política?
“Continuarei cantando as suas músicas e agradecendo-lhe pelas emoções que ele nos proporcionou”, afirmou a premiê italiana. Ela acrescentou que fará isso “embora ele provavelmente não goste” e apesar das declarações hostis que o cantor fez contra ela ao longo dos anos, demonstrando uma postura de desapego às críticas pessoais no campo cultural.
Por fim, Meloni ressaltou que a ideologia não define sua relação com a cultura. “Sou uma pessoa livre, e a liberdade de ler e ouvir tudo — independentemente das diferenças — será sempre a minha bússola”, disse, defendendo a autonomia individual na apreciação artística.
Antes de morrer, Guccini fez críticas diretas à primeira-ministra italiana, afirmando que ela apresentava “duas faces” e que sua verdadeira postura era marcada pela violência. O músico também comentou que setores da direita italiana sempre demonstraram apreço por suas letras, apesar das divergências políticas que ele mantinha.
Guccini e a política de Meloni
Em uma entrevista à imprensa italiana, Guccini relatou que Meloni o procurou nos anos 1990, quando era secretária do grupo juvenil da Aliança Nacional, convidando-o para um encontro em Atreju — convite que ele recusou na época. Esse episódio ilustra a tensão pré-existente entre o artista e a política.
Segundo o cantor, a líder italiana passou a encarar as críticas de forma semelhante ao personagem Cirano, assumindo a posição de quem chegou ao poder e passou a ser alvo de rejeição. A percepção do artista sobre a trajetória política de Meloni contrasta com a postura dela de valorização de sua obra.
Da IstoÉ com ANSA