Melhor rodar a Baiana

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)

Sempre volto para a língua quando o tema falha. A língua é boa. Estufada. Grelhada. Até em cebolada. Mas o tema hoje não deu em nada. Babei ovo pro Edson me falar do top dos mais badalados mais nem assim. Muito ruim. Startups fechadas, Itálias falidas, mulheres transtornadas e assassinos passionais não são coisas legais. É a língua que nos salva.

Lembro de o Caetano falar da sua (língua) roçando no gostar do Luís de Camões e aí fica tudo azul. É Gol de letra. De parágrafo. De capítulo. De biblioteca,

Um. Olho para a Pandemia que leva startups com nomes de Ermicida (Yellow) e verde desoletrado (Grin) à recuperação judicial e me dá peninha ver tanta bicicleta jogada na rua sem bunda sentada no timão do futuro. Brigado Edson, mas disso faço boca de Siri.

Olho de novo pra sua lista seu Franco e noto no segundo ponto que a filha de Simaria orgulha sua mãe ao ler uma carta em espanhol: “Princesa”. Rainha. Mãe de Deus. Minha santa. Tem coisa que a língua da gente lê que mais valia ficar quieta. Fiquei de saia justa.

Três. Assunto sério. Na Itália o PIB tem contração histórica de 12,4% no 2º trimestre com impacto da covid. Um em cada oito euros fugiram da terra dos césares de Abril até Junho. Esta pandemia tá louca, ou estamos todos assistindo a enterro de anão. Penso no presidente J.B. citando o outro D.T.  procurando factos alternativos para verdade. Enchi o saco.

Tudo piora no quatro. Show de horror. A cobra fumou no distrito Federal quando um cirurgião dentista (41) esfaqueou a namorada (35) e depois cometeu suicídio. A coisa ficou preta em Águas Claras.

Na lista do Edson o quinto ponto é o único que merece atenção. Alan Parker, o diretor do Expresso da Meia Noite, Fama, The Commitments e Mississippi em Chamas, deixou o mundo dos vivos e, aos (76) foi pro céu. Mas não vale suspender a feijoada porque as longas dele estão aí para todo o mundo admirar.

Falei que os temas eram fracos, nem Bolsonaros nem Lava Jatos nem wintertraubs pra fazer a gente rachar o bico com tanto boi de piranha, mas a língua é forte viu! Não vale a pena chorar as pitangas.

A língua é sempre melhor cuspida que escarrada, mesmo que não seja em mármore de Carrara. Melhor aberta que fechada como fazem nossos primos lá Portugal.

O tema é fraco, mas a língua é forte. Tudo é muito vago. Eu fumo maconha, mas não trago, viu? Quem traz é um amigo meu. Vai rodar a Baiana? Valeu!

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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