Melhor proibir o samba

Dizem que políticas estão sendo elaboradas para estimular jovens a deixarem de fazer sexo. Será verdade? Se pensarmos bem, usar a abstinência como um estímulo não deixa de ser um conceito bastante ridículo. Seria como proibir o samba para melhorar o carnaval.

Quase sempre são as pequenas coisas que causam os grandes problemas e os políticos na vertigem mediática acabam sempre por tomar atitudes que são contrárias ao bom senso, esta medida da ministra Damares é uma delas. Não tem nenhum aspeto positivo, não melhora a vida do povo, não aumenta a popularidade dos políticos e é contra a natureza tropical.

Não fazer sexo tira a tesão, aumenta a tensão, e diminui a população. E tudo isso é contra o interesse da nação. Porque a tesão é a força mais necessária à inovação e a criatividade; a tensão é uma trava ao investimento estrangeiro e ao desenvolvimento da economia e sobre a diminuição da população é melhor nem falar porque acaba com mercado e as ambições de o Brasil ser o maior país do futuro.

Para defender a prática, a ministra Damares citou como referência “estudos científicos e a normalização da espera como alternativa para iniciação da vida sexual em idade apropriada, considerando as vantagens psicológicas, emocionais, físicas, sociais e econômicas envolvidas, sem que isso implique em críticas aos demais métodos de prevenção” (uff…), mas aparentemente esses estudos fazem apenas parte da propaganda normal do partido Republicano dos Estados Unidos e não encontram eco em mais alguma evidência cientifica que apenas a necessidade de Trump conquistar o voto dos fanáticos religiosos e conservadores americanos, onde dar dinheiro para promover a abstinência sexual antes do casamento é uma prática comum.

Um estudo científico independente elaborado pela “Society for Adolescent Health and Medicine” prova exatamente o contrário. Os Estados Unidos, que é o país do primeiro mundo onde estas políticas são mais comuns, é também o primeiro no ranking de gravidezes precoces e doenças sexualmente transmissíveis.

Jogar a Moral em cima da ignorância é uma arma política muito utilizada porque infelizmente é muito eficaz. Proibir comportamentos por decreto, com base em dogmas religiosos, é uma tentação tão fácil quanto perigosa.

Fácil porque produz o efeito imediato desejado: normalizar a sociedade em torno de um aparente bem comum. Perigosa porque tem um contra efeito devastador, ensina a toda a sociedade a mentir.

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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