O melasma deixou de ser um assunto tratado apenas dentro dos consultórios dermatológicos e passou a ocupar espaço também nas redes sociais, principalmente após famosas como Ivete Sangalo, Kim Kardashian, Paolla Oliveira e Fernanda Souza compartilharem suas experiências com as manchas na pele. Mais do que uma questão estética, a condição tem impacto direto na autoestima e pode afetar profundamente a saúde mental das mulheres.
Segundo especialistas, o melasma é uma condição crônica caracterizada pelo surgimento de manchas escuras, principalmente no rosto. Apesar de não representar riscos graves à saúde física, o problema costuma mexer com a forma como muitas mulheres enxergam a própria imagem.
Quando a pele afeta a autoestima
A dermatologista Karen Aquilina* explica que o melasma costuma surgir por uma combinação de fatores hormonais, genéticos e ambientais, especialmente a exposição solar sem proteção adequada. Gravidez, uso de anticoncepcionais, estresse e calor excessivo também podem desencadear ou piorar o quadro.
“O melasma não é uma doença grave, mas é uma condição que impacta muito a autoestima da paciente. Muitas mulheres passam a evitar fotos, maquiagem leve ou até compromissos sociais por se sentirem desconfortáveis com a própria pele”, afirma.
Por não ter cura definitiva, o tratamento exige constância e acompanhamento contínuo. Ainda assim, a médica reforça que é possível controlar bastante as manchas com protocolos individualizados, rotina adequada de skincare e proteção solar rigorosa.
O estresse também pode piorar as manchas
A dermatologista integrativa Flávia Makhlouf* destaca que existe uma relação importante entre o emocional e o agravamento do melasma. Segundo ela, o estresse estimula processos inflamatórios no organismo e interfere diretamente na produção de pigmentação da pele.
“O aumento do cortisol influencia a inflamação e conversa diretamente com os melanócitos, que são as células responsáveis pela pigmentação. Por isso, tratar melasma sem olhar para o emocional é tratar apenas parte do problema”, explica.
Ela ainda ressalta que muitas mulheres entram em um ciclo emocional delicado. Quanto mais incomodadas ficam com as manchas, maior o nível de ansiedade e estresse, fatores que podem intensificar ainda mais o quadro.
A pele como reflexo das emoções
Para a psicanalista e especialista em neurociência Larissa Raymond*, a pele possui um papel simbólico muito forte na construção da identidade feminina. Segundo ela, o rosto funciona como uma espécie de cartão de visita emocional e social. “A pele é a fronteira entre o mundo externo e interno. Quando algo afeta o rosto, muitas mulheres sentem como se isso interferisse diretamente em quem elas são e em como serão percebidas pelos outros”, afirma.
De acordo com a especialista, aprender a conviver com o melasma também envolve trabalhar a autoaceitação e a forma como a mulher se enxerga além da aparência física. A terapia, nesse contexto, pode funcionar como um apoio importante no fortalecimento emocional.
“Quando a paciente entende que ela não se resume àquela mancha, passa a desenvolver uma relação mais saudável consigo mesma. Isso diminui a autocobrança, reduz o estresse e contribui até para o equilíbrio hormonal”, completa.
Controle, cuidado e acolhimento
Embora o melasma seja recorrente, especialistas reforçam que informação e acompanhamento adequado fazem toda a diferença. Além do tratamento dermatológico, hábitos saudáveis, proteção solar diária e equilíbrio emocional ajudam no controle das manchas e na qualidade de vida.
Em tempos de filtros perfeitos e pressão estética constante, o debate também ajuda a humanizar a condição e mostrar que até mulheres famosas convivem com inseguranças relacionadas à própria pele.