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Melania Trump, a primeira-dama discreta

Melania Trump, a primeira-dama discreta

Melania Trump, em março de 2019, é a primeira nascida fora do país em dois séculos - AFP/Arquivos

Melania Trump foi criticada por suas palavras e por suas roupas. E, embora muitas vezes pareça pouco encantada com a vida na Casa Branca, a eslovena de 50 anos, a primeira em sua posição a ter nascido no exterior em dois séculos, pode estender sua permanência na mansão presidencial por mais quatro anos na próxima semana.

Terceira esposa do presidente dos Estados Unidos, Melania é uma ex-modelo de olhos deslumbrantes que tem sido uma fonte discreta de apoio ao líder republicano, geralmente fora das câmeras.

Em um livro publicado no ano passado, a repórter da CNN Kate Bennett afirmou que a primeira-dama é “muito mais poderosa e influente com o marido” do que o público imagina.

Em 2018, ela pediu abertamente a demissão de um conselheiro sênior do presidente. Isso foi feito. Mas Melania permanece em grande parte um enigma – pelo menos em termos políticos.

Quando ela se colocou intencionalmente no centro das atenções, recebeu críticas. Sua campanha contra o bullying “Be Best”, um papel característico de primeira-dama, não foi bem recebida.

Nem mesmo suas escolhas de moda foram aprovadas, gerando uma longa série de comentários e especulações.

“As primeiras-damas enfrentam o tremendo desafio de fazer um trabalho sem uma descrição de cargo e enfrentando críticas públicas quase constantes”, avalia Kate Andersen Brower, autora de “Primeiras-mulheres: a graça e o poder das primeiras-damas modernas Estados Unidos” (em tradução livre).

“Elas nunca conseguem agradar a todos ao mesmo tempo, e algumas primeiras-damas, como Melania, lutam mais do que outras”, completa.

– Vida de luxos –

Melanija Knavs, seu nome de batismo, nasceu em abril de 1970 na Eslovênia, então parte da Iugoslávia. Sua mãe trabalhava na indústria da moda, e seu pai era vendedor de carros.

Ela estudou design e arquitetura antes de partir para Milão e Paris para iniciar sua carreira de modelo. Isso a levou aos Estados Unidos em 1996, onde dois anos depois conheceu Trump.

A primeira-dama disse que se tornar cidadã americana em 2006 foi “o maior privilégio do planeta Terra”.

Na verdade, sua experiência americana é verdadeiramente um privilégio: uma vida de jet-set, situada entre um luxuoso apartamento em Nova York, na Trump Tower, e residências na Flórida.

No início, Melania não pareceu concordar com as aspirações presidenciais do marido. “Ela disse: ‘Temos uma vida tão boa. Por que você quer fazer isso?'”, contou o presidente ao jornal “The Washington Post”.

Melania acabou se tornando a primeira primeira-dama americana estrangeira desde Louisa Adams, esposa inglesa de John Quincy Adams, que foi presidente entre 1825 e 1829.

– Estilo questionado –

Donald Trump entrou na Casa Branca em janeiro de 2017, mas Melania e seu filho Barron se juntaram a ele somente em junho, depois que o então estudante de 11 anos completou seu ano escolar.

“Estamos ansiosos pelas memórias que criaremos em nossa nova casa! #Movingday”, escreveu Melania no Twitter na época.

Em Washington, entretanto, ela rapidamente sentiu a dureza da cena política.

Foi criticada por usar sapatos de salto agulha em agosto de 2017 para visitar um Texas devastado pela tempestade e por calçar tênis antes de sair do avião.

Voltou ao centro das atenções em uma viagem de junho de 2018 à fronteira EUA-México para visitar crianças migrantes, por usar uma jaqueta com a frase “Eu realmente não me importo”.

Ela estaria criticando o marido? Os meios de comunicação? Sua enteada Ivanka? Ou apenas vestindo uma jaqueta que gostou? Nada disso importava e as manchetes negativas persistiam.

Tampouco ajudou usar um chapéu branco de estilo colonial durante um safári no Quênia, alguns meses depois.

Para a professora de história da Universidade de Ohio, Katherine Jellison, Melania Trump poderia melhorar sua imagem se “fizesse mais aparições públicas e desse mais entrevistas, mas, é claro, ela escolheria suas palavras e seu guarda-roupa com cuidado”.

– “Popular” –

Sua principal força como primeira-dama tem sido sua habilidade de projetar calma e compaixão, ao contrário de seu marido, em assuntos como covid-19 e tensões raciais.

Embora ela tenha estado amplamente ausente da campanha eleitoral este ano, em parte devido ao coronavírus que a afetou pessoalmente, seu discurso na convenção de nomeação republicana em agosto foi elogiado.

“Toda vez que ele precisa dela para uma grande demonstração de apoio, ela aparece”, disse Jellison.

Brower observa que Melania é “extraordinariamente popular” entre a base política de seu marido.

“Donald é um lutador. Ele ama este país e luta por você todos os dias”, disse ela na terça-feira em um comício de campanha no estado da Pensilvânia, seu primeiro evento sozinha em 2020.

O que Melania faria por mais quatro anos na Casa Branca?Brower prevê que ela adotaria um perfil ainda mais discreto.

“Ela é uma pessoa muito reservada. E, embora eu acredite que continuaremos vendo seu trabalho para ajudar as pessoas com dependência de opioides e as tarefas mais tradicionais da primeira-dama, vamos vê-la menos na cena pública”, arrisca Brower.

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