Médicos Sem Fronteiras permanecerá em Gaza ‘pelo maior tempo possível’

Médicos Sem Fronteiras (MSF) seguirá trabalhando na Faixa de Gaza “pelo maior tempo possível”, declarou à AFP seu chefe de missão para a Palestina, Filipe Ribeiro, a poucos dias do fim das atividades da ONG no território, decidido por Israel.

“Por enquanto, seguimos trabalhando em Gaza e temos a intenção de continuar nossas operações pelo maior tempo possível”, afirmou Filipe Ribeiro durante entrevista na quarta-feira (18), em Amã.

Israel anunciou em 1º de fevereiro que a ONG internacional deve deixar o território palestino até 28 de fevereiro, após se recusar a fornecer a lista detalhada de seus funcionários palestinos.

MSF denunciou essa decisão que, segundo sua avaliação, visa “impedir a ajuda humanitária” no território, devastado por dois anos de guerra entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas.

Filipe Ribeiro destacou que essa medida já tinha impacto nas atividades da ONG.

“Desde o início de janeiro, não estamos mais em condições de levar pessoal internacional em Gaza. As autoridades israelenses nos proíbem qualquer entrada em Gaza, mas também na Cisjordânia”, afirmou.

Acrescentou que MSF não está mais autorizada a “levar equipamentos médicos, medicamentos, material ou qualquer outra coisa em Gaza”.

“Temos equipes em Gaza, nacionais e internacionais, que seguem trabalhando e contamos com reservas que nos permitirão continuar nossas operações por enquanto”, declarou Ribeiro.

Israel anunciou em dezembro que proibirá 37 organizações internacionais, entre elas MSF, de trabalhar em Gaza a partir de 1º de março. O governo as acusa de não terem comunicado a lista com os nomes de seus funcionários, exigida agora oficialmente por motivos de “segurança”.

A regulamentação se aplica oficialmente apenas a Gaza, mas diversas ONGs expressaram preocupação de que, no futuro, seja estendida à Cisjordânia ocupada.

Filipe Ribeiro advertiu que o fim das atividades de MSF em Gaza teria impacto maior sobre o sistema de saúde do território.

“MSF é um dos atores mais importantes em matéria de atenção sanitária em Gaza e na Cisjordânia, e se formos obrigados a sair, será criado um vazio enorme”, declarou.

A ONG informou ter realizado em 2025 800 mil consultas médicas em Gaza, tratado mais de 100 mil pessoas com traumatismos e assistido mais de 10 mil partos.

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