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Médicos argentinos, esgotados após seis meses de combate ao coronavírus

Médicos argentinos, esgotados após seis meses de combate ao coronavírus

Médico ajusta seu equipamento de proteção no hospital Alejandro Posadas, o maior da Argentina, na província de Buenos Aires, em 18 de setembro de 2020. - AFP

No Hospital Posadas, o maior da Argentina, todos os leitos de terapia intensiva estão ocupados e, após seis meses de tratamento de pacientes com coronavírus, o quadro de funcionários está esgotado.

Seu diretor pede à população a responsabilidade individual para evitar que o sistema fique saturado.

“A nossa capacidade operacional está no limite. Não podemos crescer mais. É uma pandemia que não é só administrada pelo sistema de saúde, é muito importante que o país entenda que é preciso se cuidar porque senão o sistema de saúde não vai chegar a dar uma resposta”, explicou à AFP o diretor Alberto Maceira.

A Argentina acumula mais de 600.000 casos de covid-19 e as mortes ultrapassam 12.000, em meio a uma quarentena iniciada em 20 de março, que gradualmente se tornou mais flexível.

Na periferia de Buenos Aires, o Hospital Posadas passou de 26 leitos de terapia intensiva para 90. Mas, durante três semanas, a ocupação é total, até três leitos de terapia intensiva pediátrica estão sendo usados com adultos.

“É evidente que temos um recurso humano muito cansado. Esse número maior de pacientes fez com que o médico intensivista, a enfermeira, a equipe de limpeza, o cinesiologista dobrassem o trabalho e ficassem muito mais cansados”, explica Maceira.

– Exigência superior –

Não se trata apenas do grande número de pacientes. Costanza Arias, chefe da terapia intensiva do Hospital Posadas, destaca a complexidade dos casos atendidos.

“Esses pacientes exigem um esforço muito maior do que os pacientes normais. São pacientes graves, todos em ventilação mecânica, todos em choque, todos requerem manejo multidisciplinar e isso leva à fadiga e ao esgotamento, principalmente porque pensávamos que duraria um período um pouco mais curto e isso está se prolongando no tempo”, explica Arias.

“É um vírus que não se limitou, que continua a se espalhar, e pacientes gravemente enfermos continuam entrando. Acho que vai continuar assim por mais alguns meses”, acrescenta.

Embora as infecções em Buenos Aires tenham se estabilizado nas últimas semanas, a média continua alta, cerca de 1.100 por dia. Além disso, a doença se espalhou para as províncias, que até há pouco mais de um mês apresentavam baixa incidência.

“Vejo com um pouco de preocupação o crescimento em outras províncias, que provavelmente têm menos capacidade sanitária”, diz Maceira.

A ocupação das unidades de terapia intensiva é 60% nacional e 66% na região metropolitana de Buenos Aires, segundo o Ministério da Saúde.

No Hospital de Posadas, além do cansaço, os trabalhadores de saúde sofreram com a doença. Entre 20% e 25% dos funcionários foram contagiados, embora a maioria tenha se recuperado após duas ou três semanas e voltado a seu trabalho, de acordo com Arias.

“Estamos cansados. Trabalha-se aqui e em outro lugar, e a mesma demanda está ocorrendo em todos os lugares”, explica Diego Laplumé, infectologista que atua na área de triagem do hospital.

“O cansaço está sendo sentido e temos que ver como fazemos, se nos revezarmos para que o corpo reponha energia porque isso não vai acabar no médio prazo, vai continuar”, desabafa.

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