CRANS-MONTANA, 1 JAN (ANSA) – Um médico italiano que participa da operação de socorro em Crans-Montana, na Suíça, onde uma explosão seguida por um incêndio durante uma festa de Ano Novo deixou ao menos 40 mortos e 100 feridos na madrugada desta quinta-feira (1º), relatou que presenciou uma “situação catastrófica”.
“Deparei-me com uma situação catastrófica, mas fazíamos parte de um sistema de resgate no qual conseguimos operar de forma ordenada e calma, gerenciando um fluxo contínuo de pacientes feridos, queimados e esmagados”, contou Jacopo Pernechele.
O médico faz parte do serviço italiano de montanha do Vale de Aosta, que ajuda as equipes de resgate suíças no local. O incidente devastou o bar Le Constellation, um popular ponto turístico de Crans-Montana.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado a partir de velas acesas colocadas em garrafas de champanhe, que acabaram atingindo o teto de madeira do bar. “Uma das velas estava muito perto do teto e pegou fogo. Em poucos segundos, todo o teto estava em chamas”, contaram à emissora BFM as jovens francesas Emma e Albane, que estavam no local.
O incêndio provocou correria generalizada. A festa acontecia no porão do estabelecimento, e as chamas se espalharam rapidamente para o andar superior.
“Todos começaram a fugir gritando e correndo. A porta de saída era muito pequena para a quantidade de pessoas presentes. Alguém quebrou uma janela para permitir que as pessoas saíssem”, relataram as jovens.
Elas afirmaram ainda que bombeiros e policiais chegaram em poucos minutos: “As chamas estavam a apenas um metro de nós; se não tivéssemos corrido, certamente teríamos nos ferido.” Já a vice-prefeita de Ascona e membro do Conselho Municipal de Crans-Montana, Michela Ris, revelou à imprensa suíça que “alguns conhecidos” contaram sobre “jovens que saíram da boate cobertos de sangue, alguns sem roupa”. “Uma verdadeira carnificina”, disse.
Relatos dramáticos também vieram do hospital de Sion, para onde os feridos foram encaminhados. Uma mulher que estava na sala de espera contou que uma enfermeira pediu que todos deixassem o local após anunciar a chegada de cerca de 30 vítimas.
“Saí rapidamente para liberar o acesso à emergência, e então foi um caos. As pessoas chegavam de todos os lados, algumas gravemente feridas, trazidas em carros. Havia cheiro de queimado. Eram cerca de 2h25 da manhã: vi coisas que nunca quis ver”, disse ela ao jornal Le Nouvelliste. (ANSA).