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Criada pelo artista e empresário Marcos Amaro, a Fama, em Itu, agora reforçada por um patrocínio da Itaú Cultural, já se destaca como um grande museu do País e tem potencial para se transformar num Inhotim paulista

Crédito: Bruno Santos

POLIVALENTE Além de colecionador, Marcos Amaro é artista e galerista: amplitude de visão e objetivo de promover a arte contemporânea (Crédito: Bruno Santos)

Um grande e importante museu se desenvolve na cidade de Itu, no interior de São Paulo, com potencial e escala para se transformar num Inhotin paulista ainda nesta década. Trata-se da Fábrica de Arte Marcos Amaro (Fama), centro de exposição e produção artística que leva o nome de seu criador, filho do falecido comandante Rolim Amaro e herdeiro da empresa de aviação TAM. Todo o acervo do museu, criado em 2014, é de propriedade de Marcos Amaro, que começou sua coleção seis anos antes, com o quadro “Menino com carneiro”, de Cândido Portinari. Hoje ele possui mais de duas mil obras, 95% brasileiras, que vão do barroco ao contemporâneo. A exposição atual na Fama, “Estudos e Anotações”, que será reaberta em março, conta com 203 desenhos da pintora modernista Tarsila do Amaral que não vinham a público desde 1969. É uma das preciosidades da coleção de Amaro, que, até agora, vinha bancando todo o projeto do museu com dinheiro próprio e da família. A partir deste ano, porém, ele passa a ser apoiado também pelo Itaú Cultural.

Situada no centro de Itu, num prédio de 1910, onde por muitas décadas funcionou a Tecelagem São Pedro, uma das maiores do estado, a Fama é um complexo arquitetônico que ocupa uma área de 25 mil metros quadrados com galpões de exposição, ateliês, restaurante e, em breve, uma sala de concerto com 800 lugares. O auditório abrigará apresentações regulares e um festival anual de música clássica, coordenado pela mulher de Amaro, a pianista russa Ksenia Kogan. “Esse projeto é fruto da minha profunda ligação com a arte, tanto do ponto de vista cultural como existencial”, diz Amaro, de 36 anos. “É uma ferramenta de disseminação da arte contemporânea que ainda tem um longo caminho a percorrer”. A fábrica de arte foi criada como uma Associação para a Futura Fundação Marcos Amaro, que, além de colecionador é artista. Sua galeria Kogan Amaro, em sociedade com a mulher, funciona em São Paulo e tem filial em Zurique, na Suíça, onde o casal vive.

ESTRUTURA Museu ocupa prédio histórico que pertenceu à Tecelagem São Pedro: espaços de criação e exposição e uma grande sala de concerto (Crédito:Filipe Berndt)

Movido pela paixão


Amaro diz que entre os critérios para a formação de sua coleção, que cobre toda a história da arte brasileira, está sua própria paixão pelas obras e, em seguida, a abrangência, a amplitude do olhar. Sua coleção é composta principalmente por arte brasileira (95% do acervo), reunindo pintura, escultura e instalações. Inclui desde Aleijadinho a por pintores realistas do século XIX, como Almeida Júnior, além de artistas contemporâneos como Nuno Ramos, Cildo Meireles, Adriana Varejão e Tunga. A coleção de desenhos de Tarsila, comprada em 2019, ficou 50 anos escondida no armário de um colecionador que se recusava a mostrá-la. Só foi exposta depois de um delicado trabalho de restauração sob responsabilidade das historiadoras da arte Aracy Amaral e Regina Teixeira de Barros, também curadoras da exposição. “Os desenhos de Tarsila são uma espécie de mina de ouro para olhar sua obra e a própria artista de uma forma mais ampla”, diz Regina, que considera Amaro um dos maiores colecionadores de arte no Brasil. “Vários desenhos serviram de base para pinturas importantes da artista”, completa Regina.

PRECIOSIDADES Desenhos da pintora modernista Tarsila do Amaral expostos na Fama: coleção havia sido exposta pela última vez em 1969

Indagado sobre a comparação com Inhotim, maior museu a céu aberto do mundo, situado em Minas Gerais, ele diz que não a considera inapropriada. “A escala dos projetos é grandiosa e os dois museus estão localizados no interior, fora dos grandes centros, tentando ampliar o público brasileiro das artes plásticas”, diz. Por outro lado, enquanto o museu mineiro é voltado para a arte contemporânea e a botânica, a Fama tem uma abrangência histórica maior e ocupa antigos galpões industriais, além de contar com um mecenato ativo por meio de compra de obras e apoio a jovens artistas. Sem contar que o acervo da fábrica de arte ainda está em formação e tem muito para evoluir. Nos próximos anos, é bem provável que Itu, impulsionada pelo sucesso do museu de Marcos Amaro, se transforme num importante polo cultural do País.


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