Edição nº2590 16/08 Ver edições anteriores

Mea-culpa

“Todos estão procurando um motivo para não assumir a responsabilidade por suas próprias ações”, disse Clint Eastwood certa vez. A evasão, a busca por bodes expiatórios, a tentativa de sempre culpar os outros são tão antigas quanto a humanidade. Que diferença faz a coragem de admitir os próprios erros!

O Brasil vive um momento extremamente delicado. Nosso Estado faliu e a principal causa é o rombo previdenciário, apesar de não ser a única. Qualquer pessoa sensata vai reconhecer que precisamos de um choque de produtividade, de redução da ingerência estatal e do resgate de certos valores morais. A decadência deixada pelo petismo é econômica e também cultural.

Há divergências quanto aos métodos para se resgatar o crescimento e os valores, já que numa democracia o pluralismo é saudável. Ninguém é dono da verdade. Mas é consensual a necessidade de mudanças, de uma agenda propositiva comum para recolocar a economia nos trilhos, de conter os gastos públicos e estancar a baixaria nos costumes.

A pauta liberal-conservadora isso faz sentido. Mesmo progressistas moderados podem aceitar essa realidade. As principais lideranças do País, portanto, têm a obrigação moral de encontrar esse denominador comum para salvar o Brasil do caos. Mas poucos têm adotado essa postura agregadora.

O próprio presidente, influenciado por sua militância, investe em discursos que geram mais cizânia do que qualquer outra coisa. Boa parte do Congresso, por outro lado, demonstra pouco patriotismo e tenta preservar os velhos privilégios. Já a imprensa acaba exagerando na dose das críticas por causa de sua antipatia ao presidente.

Carlos Alberto Di Franco escreveu condenando a má vontade de Bolsonaro com a imprensa, mas reconhecendo que os jornalistas também não ajudam nada: “nós, da imprensa, talvez ressentidos pelo estilo polêmico do presidente, sobretudo pela agressividade dos seus filhos, não estamos captando os sinais do governo. Por isso temos sido excessivamente críticos com uma administração que está nos começos e carregando uma herança para lá de incompetente, corrupta e irresponsável”.

A tensão entre governo e imprensa é inevitável onde há liberdade de expressão e não é papel do jornalismo fazer propaganda. Mas é possível ser mais justo, como diz Di Franco: “Os leitores, com razão, manifestam cansaço com o tom sombrio das nossas coberturas. É possível denunciar mazelas com um olhar propositivo”. É hora de todos fazerem uma reflexão e um mea-culpa, aparando arestas e focando naquilo que importa. O Brasil tem pressa!

A tensão entre governo e imprensa é inevitável. Jornalismo não é fazer propaganda, mas é possível uma cobertura mais justa


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