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‘Me deram asas para voar’, diz Renato Aragão

O humorista conta em entrevista exclusiva para ISTOÉ como passa pela pandemia e quais seus projetos profissionais

Crédito: Arquivo Pessoal

O sertanejo Antonio Renato Aragão é antes de tudo um forte. Dizer que ele se reinventa não seria justo. Aos 85 anos de idade ele está a pleno vapor, atualizado e jovial como seu principal personagem: Didi. Ele não para, nunca! Todos os dias mantém uma rotina de exercícios físicos, escreve muito e se diverte como uma criança com as novas tecnologias, em especial com as “dancinhas” do aplicativo TikTok. Por conta da Covid-19 ele está totalmente em isolamento social, mas ama o contato com o público. Renato diz sentir muita falta de ouvir por onde passa as pessoas contando de esquetes que ele já não lembrava mais. Ele gosta muito de ser chamado de Didi Mocó. “Faço questão de falar com o público, são eles que tornaram meu trabalho tão relevante”, afirma o humorista em entrevista exclusiva para ISTOÉ.

Pouca gente lembra, mas em 1985 o Renato fez um pedido pessoal à Rede Globo. Ele pretendia fazer uma ação de ajuda aos nordestinos. A seca matou cerca de 3,5 milhões de pessoas entre 1979 e 1985, a maioria crianças por desnutrição. Com ajuda do Boni, diretor da emissora carioca na época, conseguiu um programa de arrecadação com muito êxito, foram quatro horas no ar. “O povo ajudou muito. Eu disse para o Boni: foi um sucesso e eu cumpri a minha parte”, comemorou. Mas o Boni disse que não tinha cumprido nada, só estava começando. Assim que terminou o “SOS Nordeste” a nova tarefa era repetir no ano seguinte uma atração com duração de oito horas – do meio dia às 20 horas – do programa “Criança Esperança”. Renato lembra que disse ao diretor da Rede Globo: “Rapaz faz isso não. Não tenho fôlego pra isso tudo”.  O Boni entendeu e disse pra não se preocupar: “eu te ajudo”. Assim, em 16 de agosto de 1985 se iniciou a atração, ainda hoje mantida pela Rede Globo.

A projeção alcançada e a alma infantil do Didi cativavam cada vez mais as pessoas. Logo surgiu um convite do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a entidade queria Renato Aragão como seu embaixador. “Um representante veio ao Brasil pra me fazer o convite. Aí eu disse, cara eu não tenho competência para isso não. Deixa eu estudar, me aprofundar, é muito cedo”, explica o Renato. O representante entendeu a insegurança, mas deixou claro que só esperava uma posição positiva do apresentador para conceder o título. Depois de três anos, durante um programa “Criança Esperança” ao vivo, entrou a equipe do Unicef no palco e disse: “Agora você é um embaixador, assina aqui”. Renato lembrou da cena: “foi chantagem, ao vivo”, sorriu o comediante.

O Renato então levou o Didi por todo o país, principalmente pelo interior, para ajudar no trabalho de divulgação de projetos das Ongs que cuidam de crianças. A esposa dele, Lilian Aragão, lembra o esforço: “A partir daquele momento as pessoas começaram a ver que dava para fazer um trabalho honesto. O Renato plantou uma sementinha usando o prestígio dele. O principal era mostrar os trabalhos que davam certo”, explica Lilian. A visão otimista e absolutamente bem-humorada era sucesso certo. Aliás, o cearense diz que já pensou algumas vezes em mudar seu nome para “Antonio Renato Esperança Aragão: sou muito otimista”. Coisas do sertanejo forte que aprende a não se intimidar com as dificuldades.

A esta altura da entrevista, por telefone, que contava com a participação valiosa da senhora Lilian, o Renato diz: “Você está já me emocionando muito perguntando essas coisas”. As perguntas eram sobre o otimismo de propor ações sociais para as crianças. O homem forte chora e a esposa prossegue por alguns minutos com a entrevista. O casal mostra uma cumplicidade ímpar, conversam em sintonia tamanha que sugerem ter uma mente compartilhada. Lilian reforça: “O Renato tá aqui emocionado”.

O sertanejo se recompõe e a entrevista continua com ele falando sobre o humorismo atual. O Didi era um personagem de um tempo com menos patrulhamento aos comediantes. Estamos na era do politicamente correto. Renato não se empolga muito com o assunto e lembra que todos têm que ser respeitados. No entanto, afirma que “sempre foi tudo uma brincadeira. É coisa de palhaço, não é pra levar a sério. Ainda assim temos que contar uma piada com muita cautela”, conclui. Aliás, outros assuntos também não empolgam o Renato, ele incorpora o Didi e se esquiva de assuntos como política: sabedoria de quem já viveu boas décadas. “Essa pergunta é muito difícil”, foi o tipo de resposta mais comum, a saída matuta é própria do Didi.

Embora a desenvoltura nas telas seja aplaudida por todo o País, Renato é muito tímido. A esposa relata que acontece algo interessante com ele. Na televisão a roupa do Didi transforma o comediante. “Em casa, quando ele coloca o boné para trás baixa o espírito do Didi”, disse Lilian. O Didi só aguarda passar a pandemia para voltar às telas. Recentemente ele e Globo romperam contrato de exclusividade: “me deram asas pra voar”. Renato diz que agora continua na Rede Globo e em todas as outras emissoras. Não descarta ser exclusivo de outra rede de televisão, mas não é esse o projeto.

Teatro parece ser a maior ambição do momento, mas Renato negocia com seriados com “NetFlix, Amazon, Disney”, além de filme na Globofilmes. Ele revela que está muito preocupado com a Covid-19, então tem que esperar passar. Enquanto isso ele vai se divertindo nas mídias sociais e escrevendo seus roteiros em casa. “Agora é a hora de se colocar na internet”, explica. A linguagem,  em qualquer que seja o projeto é humor: “O Didi reclama se eu não fizer o trabalho com ele”. A relação entre Renato Aragão e Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbbo (com dois b é bem importante) é muito próxima, há uma grande admiração. “O Didi é uma pessoa que quer viver o dia de hoje como se não tivesse amanhã. Ele me acorda e diz tive uma ideia. Aí eu vou lá e escrevo. O Didi é meu alterego”, explica o Renato.

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