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May altera plano para Brexit e diz ser ‘última chance’

May altera plano para Brexit e diz ser ‘última chance’

Theresa May, primeira-ministra britânica, em 17 de maio de 2019 - Pool/AFP/Arquivos

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, apresentou nesta terça-feira (21) uma revisão de seu plano para o Brexit e afirmou que o Parlamento tem uma “última chance” para aprová-lo.

Rejeitado em três ocasiões, o texto deve ir a voto na Câmara dos Comuns em 3 de junho, mas o cenário atual mostra que os parlamentares ainda estão longe de entrar em acordo.

“Eu assumi um compromisso, agora peço para vocês fazerem o mesmo. Ofereci até desistir de um cargo que eu amo antes do que eu gostaria”, disse May, que prometeu renunciar caso o acordo de retirada da União Europeia seja aprovado.

O novo texto inclui a proposta para uma união aduaneira “temporária” para bens com a UE e a manutenção dos padrões europeus para tutela de trabalhadores e do meio ambiente – as duas medidas eram reivindicações do Partido Trabalhista, de oposição.

Além disso, obriga o Reino Unido a propor, até o fim de 2020, uma alternativa para o “backstop”, mecanismo que prevê a manutenção de fronteiras abertas entre Irlanda do Norte e República da Irlanda caso Londres e Bruxelas não cheguem a um acordo comercial.

O projeto ainda determina que, caso o backstop entre em vigor, a Irlanda do Norte permanecerá alinhada com o restante do Reino Unido em questões alfandegárias. O texto rejeitado três vezes pelo Parlamento previa que o backstop valesse após o fim do período de transição, em 31 de dezembro de 2020, mas apenas se os dois lados não fechassem um tratado comercial.

Apoiadores do Brexit, no entanto, acreditam que isso seria uma maneira de a União Europeia anexar informalmente a Irlanda do Norte. Já a República da Irlanda teme que um eventual fechamento da fronteira restabeleça a violência entre os dois territórios.

A nova proposta de May também prevê a possibilidade de a Câmara dos Comuns votar uma moção vinculativa para convocar um segundo plebiscito sobre o Brexit. A última cartada da premier chega após semanas de negociações fracassadas com o Partido Trabalhista, cujo líder, Jeremy Corbyn, disse que a proposta não traz “mudanças significativas’.

Inicialmente marcada para 29 de março, a separação foi adiada para 31 de outubro, o que fará o Reino Unido participar das eleições para o Parlamento Europeu, de 23 a 26 de maio. (ANSA)