Comportamento

Máscaras em falta

Medo do coronavírus faz com que máscaras hospitalares desapareçam das prateleiras. Apesar disso, o uso não garante a proteção

Crédito:  Aloisio Mauricio/Fotoarena

ALERTA No bairro da Liberdade, em São Paulo, alguns pedestres estão utilizando máscaras hospitalares (Crédito: Aloisio Mauricio/Fotoarena)

Em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília e até no Japão, conforme mais casos de coronavírus vão sendo confirmados, a procura por máscaras hospitalares aumenta. Em todas esses lugares, há relatos de dificuldade para encontrar estes itens de proteção. Mesmo na China, país que concentra a maior parte dos casos, fabricantes recorrem a distribuidores internacionais para suprir a demanda pelo equipamento de segurança – em falta também por lá.

A máscara é comumente associada com o isolamento do organismo do mundo exterior, e usá-la é uma das primeiras atitudes de quem tem o receio de se contaminar com uma doença que é transmitida pelo ar. Mesmo no Brasil, não tem sido difícil encontrar alguém usando o equipamento na rua, algo que deixa quem está ao redor em estado de alerta.

Funciona mesmo?

A professora da Unifesp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia Nancy Bellei afirma que ainda não há estudos comparando a eficácia da máscara na prevenção ao coronavírus, por causa das particularidades do microorganismo, mas que enquanto não se sabe, usá-la faz parte das precauções padrão. “A máscara é um passo a mais nas precauções, que envolvem lavar sempre as mãos. Só usar a máscara e não fazer as outras coisas não vai te proteger”, afirma, mencionando manter a distância de pessoas desconhecidas como outra medida necessária. Nesse sentido, a eficácia da máscara no transporte público não é das maiores, visto que no contexto brasileiro ela envolve aglomeração de pessoas e não é possível lavar as mãos após contato com as barras de apoio de ônibus e metrô, por exemplo.

Uma curiosidade é que no Brasil a máscara não é tão eficiente por motivos culturais, visto que nos cumprimentamos com apertos de mãos e beijos no rosto, atitudes ausentes nos cumprimentos na cultura japonesa. “Muito dos asiáticos usam para não contaminar os outros, é algo comportamental, não é para proteção individual, mas geralmente para não tossir ou espirrar nos outros”, diz Nancy. Enquanto não se sabe muito sobre o coronavírus, a proteção é bem-vinda, mas está longe de ser totalmente eficaz.