A Marinha dos Estados Unidos conduzirá as embarcações pelo Estreito de Ormuz a partir de segunda-feira, disse o presidente americano, Donald Trump, neste domingo, 3, afirmando que “países de todo o mundo” haviam solicitado isso.
“Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, informamos a estes países que conduziremos seus navios de maneira segura para fora destas vias navegáveis restritas, para que possam continuar com seus negócios de forma livre e eficaz”, escreveu o mandatário em sua plataforma, Truth Social.
“Este processo, Projeto Liberdade, começará na manhã de segunda-feira, no horário do Oriente Médio”.
Também neste domingo, o presidente afirmou que representantes americanos mantêm “conversas muito positivas” com o Irã. Teerã, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, confirmou a apresentação de um plano de 14 pontos focado em encerrar as hostilidades que abalam o Oriente Médio.
Ultimato e resistência
Apesar da abertura de diálogo citada por Trump, a Guarda Revolucionária iraniana mantém o tom de confronto. O órgão desafiou Washington a escolher entre uma operação militar “impossível” e um “acordo ruim”, alegando que a margem de manobra dos EUA diminuiu diante do posicionamento de potências como China e Rússia.
O impasse entre as nações perdura desde o cessar-fogo de 8 de abril. A estagnação nas negociações em Islamabad, mediadas pelo Paquistão, deve-se principalmente às divergências sobre o programa nuclear iraniano e a asfixia econômica imposta pelo bloqueio naval recíproco.
Plano de 14 pontos
O plano iraniano para encerrar o conflito em 30 dias exige, entre outros itens:
- Retirada de forças americanas de áreas próximas ao Irã;
- Fim do bloqueio naval e suspensão de sanções;
- Descongelamento de ativos e indenizações financeiras;
- Estabelecimento de um mecanismo compartilhado para o Estreito de Ormuz.
Impacto global
A crise tem provocado instabilidade nos preços do petróleo, que atingiram níveis comparáveis aos de 2022. Enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirma que o regime iraniano enfrenta graves dificuldades financeiras devido às sanções, o anúncio do “Projeto Liberdade” eleva a tensão militar na rota por onde transita um quinto dos hidrocarbonetos mundiais.
Embora Trump tenha notificado o Congresso de que as hostilidades formais haviam “terminado”, a decisão de escoltar navios reforça a presença militar americana. No Líbano, a situação continua volátil, com Israel ordenando evacuações urgentes em áreas do sul do país, evidenciando que o desfecho da crise ainda depende do equilíbrio entre a nova operação naval e as negociações de bastidores.
* Com informações da AFP