O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos de prisão por ordenar a morte da vereadora Marielle Franco.
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O órgão também votou pela condenação de Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM-RJ, pelos homicídios, Robson Calixto Fonseca, PM e ex-assessor de Domingos, além do ex-chefe da Polícia Civil do RJ, Rivaldo Barbosa, por organização criminosa e obstrução de Justiça.
Veja como ficaram as penas:
- Domingos e Chiquinho Brazão: 76 anos e três meses de prisão por organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio
- Ronald Paulo Alves Pereira: 56 anos de prisão por duplo homicídio e tentativa de homicídio
- Rivaldo Barbosa: 18 anos de prisão por corrupção e obstrução de Justiça
- Robson Calixto Fonseca: 9 anos de prisão por organização criminosa

Anielle Franco (e) e Marinete da Silva (d) durante julgamento que condenou irmãos Brazão pela morte de Marielle (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
Família comemora decisão
A irmã de Marielle, Anielle Franco, afirmou que a condenação dos réus acusados de participação no assassinato da vereadora e seu motorista, representa um recado para quem debochou das mortes ao longo da investigação.

Pais de Marielle comemoram decisão ao lado de irmã e filha da vereadora (Foto: Antonio Augusto/STF)
“Uma parcela da sociedade, que, em todo ano eleitoral, traz minha irmã como um elemento descartável, sendo apenas mais uma, ou como falavam, mimimi sobre Marielle Franco”, afirmou.”
Marinete da Silva, mãe da vereadora carioca, disse que a família sai do julgamento com o ‘coração acalentado’
“É um alívio, porque a pergunta que ecoava no mundo era: quem mandou matar Marielle? Hoje, sabemos. A gente sai daqui com a cabeça erguida”, declarou.
Voto do relator
No início de seu voto, o relator rejeitou as questões preliminares apresentadas pelas defesas dos réus.
Moraes destacou que a motivação política do crime e as ações de queima de arquivo, que, segundo o ministro, são caracterizadas pela atuação de milícias.
Em outro momento, o magistrado reforçou o entendimento de violência de gênero.
O relator ainda pontuou que há fartas provas contra os irmãos Brazão e Robson Fonseca, que teriam formado uma organização criminosa voltada para a prática de atividades ilícitas.
“Não existe qualquer dúvida razoável sobre a vinculação dos réus com as milícias no Rio de Janeiro. Eles não tinham só contato com a milícia, eles eram a milícia”, disse.
“Dentro desse contexto, Domingos e João Francisco Brazão foram os mandantes do duplo homicídio e da tentativa de homicídio contra as vítimas”, emendou Moraes.
Como foi a votação
Após o voto de Moraes, Carmén Lucia continuou. “Este processo tem me feito muito mal espiritualmente, psicologicamente e até fisicamente”, afirmou a única mulher no Supremo.
“Quantas Marielles o Brasil permitirá que sejam assassinadas?”, enfatizou a ministra.
Segundo o tribunal, os irmãos Brazão “não esperavam tamanha repercussão” após o assassinato de Marielle.
Na defesa, o advogado de Chiquinho tentou esboçar uma definição da ‘política do Rio’
“Quem no Rio faz política e nunca pediu voto para traficantes ou milicianos, que atire a primeira pedra”, disse Cleber Lopes
* Com informações da Agência Brasil e AFP