A líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou que foi excluída das negociações realizadas nesta semana em Caracas entre o governo interino de Delcy Rodríguez e integrantes da oposição.
Em declaração ao The New York Times, Machado disse que Washington não a incluiu nos encontros. A versão, porém, foi contestada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que afirmou que o Vente Venezuela, partido da opositora, recebeu convite para participar das conversas.
Divergência sobre a participação
A manifestação de Machado expõe uma disputa sobre quem efetivamente representa a oposição nos entendimentos que discutem o futuro político do país. Segundo a líder venezuelana, ela própria não esteve incluída no processo conduzido com a participação americana.
A resposta do governo dos EUA não detalhou se Machado seria chamada diretamente para as reuniões, mas sustentou que seu partido foi convidado. A divergência mantém em aberto o grau de participação do grupo ligado à opositora nas negociações em Caracas.
Promessa de retorno
Machado também afirmou que pretende voltar à Venezuela “antes do que se possa imaginar”, com o objetivo de mobilizar seus apoiadores para futuras eleições. Ela não apresentou uma data para o retorno.
O Departamento de Estado afirmou que a líder opositora tem o direito de entrar em seu país quando quiser. Machado deixou a Venezuela em dezembro de 2025, após permanecer em local desconhecido durante o período em que Nicolás Maduro se manteve no poder depois das eleições de 2024.
Cenário de transição
As conversas ocorrem em meio à reorganização política da Venezuela após a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro deste ano. Delcy Rodríguez passou a comandar um governo interino, enquanto diferentes setores da oposição buscam espaço nas discussões sobre a transição e um eventual calendário eleitoral.
Vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Machado segue como uma das principais vozes da oposição venezuelana. Sua possível volta ao país tende a acrescentar pressão e expectativa a um processo ainda marcado por versões conflitantes e pela indefinição sobre os próximos passos.
Da IstoÉ e ANSA