María Corina Machado espera se tornar presidente da Venezuela ‘quando chegar a hora’

Ganhadora do Prêmio Nobel da Paz não reconhece os resultados das eleições de julho de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito

María Corina Machado em Oslo
María Corina Machado em Oslo Foto: Odd Andersen/AFP

A líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, espera ser eleita presidente da Venezuela “na hora certa”, declarou em entrevista transmitida nesta sexta-feira (16) pela Fox News.

“Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente”, afirmou na entrevista, gravada após seu encontro na quinta-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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A atual líder do país, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina após a captura e deposição do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro.

Nem Machado nem a oposição venezuelana reconhecem os resultados das eleições de julho de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito. Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países latino-americanos também não reconheceram Maduro como o líder democraticamente eleito da Venezuela.

Trump descartou, por ora, pressionar por uma mudança de regime no país sul-americano e já manteve pelo menos uma conversa por telefone com Rodríguez, com quem está disposto a fortalecer os laços.

Um voo com 231 migrantes deportados dos Estados Unidos chegou à Venezuela nesta sexta-feira, o primeiro desde a incursão militar americana em 3 de janeiro.

Questionada sobre o que aguarda a Venezuela agora, Machado respondeu: “Liberdade. E não só isso, teremos um país que será a inveja do mundo”.

A agenda de Machado em Washington nesta sexta-feira, após o encontro com Trump, consiste oficialmente em uma coletiva de imprensa.

A medalha de Bolívar

A líder da oposição, que vivia escondida na Venezuela e deixou o país em dezembro com o apoio dos EUA para receber o Prêmio Nobel da Paz, decidiu entregar a medalha ao presidente Trump com uma dedicatória especial, um gesto que o presidente descreveu como “maravilhoso”.

O Instituto Nobel em Oslo esclareceu, ao tomar conhecimento das intenções de Machado, que o prêmio é pessoal e intransferível.

Em entrevista à Fox News, Machado ofereceu uma explicação baseada em eventos históricos para justificar sua decisão.

“Foi um momento muito emocionante. Decidi entregar a medalha ao presidente em nome do povo da Venezuela e expliquei a ele onde encontrei a inspiração”, disse ela.

“Duzentos anos atrás, o general Lafayette presenteou Simón Bolívar, o libertador dos venezuelanos, com uma medalha com a imagem de George Washington”, o primeiro presidente dos Estados Unidos, contou.

O general e marquês francês Lafayette (1757-1834) participou da Guerra da Independência americana e foi posteriormente uma figura-chave na Revolução Francesa de 1789.

“Bolívar guardou essa medalha até o fim de seus dias. Sendo assim, duzentos anos depois, o povo de Bolívar está presenteando o herdeiro de Washington com uma medalha – neste caso, o Prêmio Nobel’, acrescentou.

Trump afirma ter resolvido oito conflitos em todo o mundo desde que assumiu o cargo, incluindo guerras com décadas de massacres, como a entre Camboja e Tailândia.

Por esse motivo, ele ambicionava abertamente o Prêmio Nobel da Paz de 2025, que acabou sendo concedido a Machado.

Trump ressuscitou a chamada “Doutrina Monroe”, aludindo às ambições dos Estados Unidos de controlar de perto os destinos da América Latina e do Caribe, tanto contra interferências “externas”, como a crescente presença chinesa ou os movimentos do Irã e da Rússia na região, quanto contra o que ele considera falta de cooperação de alguns países no combate à imigração irregular e ao tráfico de drogas.

O republicano, em seu último mandato na Casa Branca, demonstra um pragmatismo implacável.

O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, teria viajado a Caracas esta semana para se encontrar com Delcy Rodríguez, segundo o The New York Times.