A cantora Mari Fernandez, 24 anos, chamou atenção ao revelar que eliminou cerca de 30 quilos e que o processo de emagrecimento, dentre outros fatores, envolveu o enfrentamento à compulsão alimentar. Em entrevista recente, ela contou que a relação com a comida era marcada por excessos e sofrimento, destacando que a mudança foi além da estética e impactou diretamente sua saúde e qualidade de vida.
Mari explicou que passou a fazer dieta com médicos e especialistas por se sentir cansada e ter problemas de saúde, decorrentes de má alimentação. “Eu comia demais, na maioria das vezes eu não fazia dieta, acabava comendo coisas que eram pesadas antes de subir no palco. Isso atacava meu refluxo e me causava muita rouquidão na voz, então comecei a dieta por conta disso”, contou ela na entrevista.
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O relato da cantora reacende um debate importante: emagrecer de forma saudável, sustentável e sem recaídas exige acompanhamento, estratégia e cuidado com o corpo e a mente. Especialistas ouvidos por IstoÉ Gente contam como este processo pode ser feito.
Segundo o médico nutrólogo *Rubem Regoto, com experiência na área de Medicina Integrativa e Ortomolecular, o primeiro passo é desconstruir a ideia de que emagrecimento depende apenas de força de vontade. “Emagrecimento não é ‘força de vontade’, é estratégia. Antes de qualquer dieta, é preciso entender por que esse corpo está segurando o peso”, afirma.
O médico alerta que a avaliação passa por histórico clínico, qualidade do sono, nível de estresse, uso de medicamentos, exames metabólicos e composição corporal. “Se você corta calorias sem proteger músculo, a pessoa até emagrece, mas perde motor. Com menos massa magra, o metabolismo fica mais lento e a chance de o corpo pedir o peso de volta aumenta”, pontua.
Na entrevista, Mari conta que antes comia toda hora, sem se preocupar com a quantidade. “Eu tinha uma compulsão por comida muito grande. Toda hora eu estava comendo e eu não fazia conta do que eu estava comendo, eu não me preocupava se eu estava comendo muito ou pouco”, diz.
O especialista explica que o problema da compulsão não está ligado à falta de controle moral. “Compulsão não é falta de vergonha. É um curto-circuito entre emoção e recompensa. Ansiedade, vazio, cansaço… e a comida vira um botão de alívio”, analisa.
A nutricionista e educadora física **Isabela Milagres , pós-graduada em Treinamento Esportivo e Fisiologia do Exercício, reforça que a compulsão raramente é apenas sobre comida. “Ela costuma estar ligada à restrição excessiva, desorganização alimentar e fatores emocionais.”
Do ponto de vista nutricional, ela explica que refeições regulares, com boa distribuição de proteínas, fibras e gorduras de qualidade, ajudam a evitar longos períodos de jejum, que favorecem episódios compulsivos. “Um emagrecimento saudável acontece quando o corpo se sente nutrido e seguro, não em constante privação”, pontua.
O Dr. Rubem Regoto complementa que estratégias simples podem reduzir a compulsão. “Proteína e fibra em todas as refeições aumentam saciedade, organizar o carboidrato evita extremos e planejar um lanche para o horário crítico ajuda muito, e dormir mal aumenta fome e impulsividade. Isso tudo diminui o ‘barulho’ do cérebro pedindo recompensa”, orienta.
No caso de artistas com rotinas intensas, como turnês e viagens frequentes, Isabela destaca que o foco não deve ser apenas o peso na balança. “É preciso pensar em performance física e mental. O planejamento alimentar precisa ser prático e adaptado à rotina, priorizando carboidratos de boa qualidade para energia, proteínas para recuperação muscular e micronutrientes para imunidade. Quando o emagrecimento é gradual e personalizado, ele melhora a energia, não o contrário”, diz a especialista.
Início do processo
Maria Fernandez também conta que no início do processo, o objetivo final era uma melhora na saúde, mas com o passar do tempo e vendo os resultados, a estética entrou no processo. Dr. Rubem Regoto afirma que quem busca resultados consistentes não pode abandonar o cuidado após as primeiras mudanças. “No início, gosto de revisar a cada um ou dois meses, porque o corpo muda rápido. Depois, os retornos podem ser trimestrais ou semestrais”, conta.
Já o nutrólogo ***Murillo Monteiro, médico especialista pela Associação Brasileira de Nutrologia, ressalta que a manutenção do peso é uma fase ativa do tratamento, e não o fim do processo. “Após o emagrecimento, o organismo passa por adaptações metabólicas que favorecem a recuperação do peso, como redução do gasto energético basal e aumento da fome, por isso, a transição do déficit calórico para a manutenção deve ser gradual, com acompanhamento da composição corporal e ajustes constantes nos hábitos”, diz.
O especialista também destaca que, em alguns casos, o tratamento medicamentoso pode ser mantido a longo prazo. “As diretrizes reconhecem que nem todos conseguem manter os resultados apenas com mudanças no estilo de vida. A decisão de manter ou suspender medicamentos deve ser individualizada, sempre com acompanhamento médico”, pontua.
O Dr. Murilo Monteiro alerta que a fase mais delicada começa justamente quando o resultado aparece. “A fase mais importante começa quando alguém diz: ‘Nossa, como você emagreceu’. É aí que muita gente relaxa e o corpo tenta voltar ao padrão antigo. A manutenção exige foco em ganho de massa magra, reintrodução gradual de calorias e check-ins periódicos. O objetivo não é perder peso. É não precisar recomeçar do zero toda vez”, conclui.

Mari Fernandez. Reprodução/Instagram.