Após trajetória marcante no funk, Marcelo Portuga inicia nova fase na carreira

Arista é considerado nome fundamental na construção da música urbana no País

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Marcelo Portuga Foto: Divulgação

Depois de deixar uma marca profunda na história do funk brasileiro, Marcelo Portuga dá início a um novo capítulo de sua trajetória. Nome fundamental na construção da música urbana no país, o produtor e empresário passa a atuar oficialmente no segmento gospel ao se tornar sócio da AHSA Music, levando para esse universo a mesma sensibilidade artística que sempre guiou suas escolhas.

Conhecido por enxergar potencial onde poucos viam, Portuga ajudou a transformar vozes da periferia em fenômenos nacionais, sempre atento à estética, à narrativa e à força cultural da música. Agora, essa escuta apurada se volta para um campo em expansão, onde fé, emoção e arte caminham juntas.

O novo projeto nasce do encontro entre diferentes olhares criativos. Ao lado de Alex Passos, comunicador conhecido por ideias autorais e fora do comum, e Marcony Cruz, responsável por dar estrutura e fôlego à operação, a proposta é construir um espaço onde a música gospel possa ganhar novas formas de expressão, sem perder sua essência.

A história de Marcelo Augusto Gonçalves, o Marcelo Portuga, começa no funk paulista. Foi nesse ambiente que ele se destacou por apostar em talentos vindos das periferias e por entender a música como linguagem, identidade e pertencimento. Sua passagem pela GR6 foi decisiva para moldar sua visão artística e seu entendimento sobre o impacto social do funk.

Em 2013, Portuga fundou a Portuga Records, gravadora que revelou nomes como Kevinho, Kekel, Jottapê, MC MM, Dani Russo e MC Hollywood. Mais do que números, os projetos liderados por ele ajudaram a definir uma estética e uma sonoridade que marcaram uma geração. Canções como “Olha a Explosão” e “Bum Bum Tam Tam” atravessaram fronteiras e mostraram a força da música brasileira no cenário digital.

A partir de 2017, ao lado de Konrad Dantas, participou da construção da Kondzilla Records, ampliando ainda mais o alcance do funk e levando o gênero a palcos e públicos antes impensáveis. Seu trabalho ajudou a reposicionar o funk como expressão cultural legítima e potente.

A virada de chave, no entanto, veio de forma íntima. Após a perda do pai, Portuga passou por um processo profundo de reflexão e espiritualidade, que resultou em sua conversão ao evangelicalismo e em uma nova forma de enxergar sua missão artística. Em 2023, vendeu a Portuga Records e se despediu do funk secular, abrindo espaço para projetos conectados à fé e ao propósito.

Agora, Marcelo Portuga inicia uma fase em que arte, espiritualidade e experiência caminham juntas. Nos bastidores da música, a expectativa é de que ele leve ao gospel o mesmo cuidado estético, a mesma escuta sensível e a mesma capacidade de contar histórias que sempre marcaram seu trabalho. Quando Portuga se move, a música sente. E, mais uma vez, algo novo começa a ganhar forma.