Comportamento

Maravilha arquitetônica

O Edifício Itália, localizado no centro de São Paulo, ganha pela primeira vez um livro para contar sua história gloriosa. Inaugurado em 1965, o local nunca perdeu o requinte e continua atraindo muitos turistas

Crédito: Divulgação

IMPONÊNCIA Com 46 andares, 165 metros de altura e 19 elevadores, o edifício é o segundo mais alto da cidade: monumento à imigração italiana (Crédito: Divulgação)

A cidade de São Paulo costuma ser chamada de selva de pedra por causa dos milhares de construções verticais. Mas, em meio à profusão de arranha-céus, um prédio se destaca e brilha no horizonte. Trata-se do Circolo Italiano, nome de batismo do Edifício Itália, localizado na Avenida Ipiranga e considerado, com seus 165 metros, o segundo mais alto da metrópole. Sem ele, que acaba de completar 55 anos e de ganhar um livro para contar sua história, a cidade não seria a mesma — perderia em grandeza e sofisticação. “Quando mudamos para o prédio, quis mandar um livro para os nossos clientes, contando porque decidimos sair da Zona Oeste e vir para o Centro. E foi um choque ver que esse livro não existia”, diz o arquiteto Antonio Mantovani, sócio do escritório Pitá Arquitetura, instalado na construção modernista e responsável por bancar a publicação da obra “Edifício Itália” (KPMO Cultura e Arte).

Fruto do esforço da comunidade italiana do pós-guerra, a construção se destaca pela arquitetura inteligente. Com 46 andares e 19 elevadores, o edifício abriga escritórios de advocacia, arquitetura, contabilidade, turismo, marketing e muitos outros. Fora um teatro e uma galeria de arte no térreo. A construção foi projetada para ir muito além da funcionalidade. Antes de mais nada, o Edifício Itália é bonito. “O lugar é um presente arquitetônico para a cidade. Foi pensado para servir a população e entrega praticidade”, explica arquiteta Anat Falbel, responsável pela pesquisa do livro. Janelas desenhadas para a ventilação natural e proteção contra a luz do sol garantem o frescor interno. “Só ligamos o ar-condicionado uma vez desde que a empresa veio para cá”, explica Mantovani. Vizinho do famoso Copan, de Oscar Niemeyer, a escolha do projeto para abrigar o centro de cultura italiana, se deu através de um concurso vencido pelo engenheiro Otto Meinberg e pelo arquiteto Franz Heep. A construção começou em 1954 e a inauguração aconteceu onze anos depois. O gigante nasceu como cartão-postal.

ESPETÁCULO No alto do Terraço Itália, que completa 55 anos, há um restaurante com a melhor vista panorâmica da metrópole: até a rainha Elizabeth II, (à dir.) já foi conferir a paisagem (Crédito:Divulgação)

Responsável pela pesquisa do livro, Anat conta que o charme do local está no fato de ser um empreendimento aberto a todos. Ou seja, mesmo que você não trabalhe no local, há a cereja do bolo: o Terraço Itália. No topo do edifício está o restaurante e o bar panorâmico que atraiu ninguém menos que a rainha da Inglaterra, Elisabeth II, em 1968. Com paredes de vidro, o local propicia uma visão circular da cidade. “É possível ver toda a cidade daqui, a vista conta uma história”, diz o sommelier do Terraço, Francisco de Freitas, conhecido como Maître Freitas. Pela vista de encher os olhos, o terraço atrai turistas do mundo todo. Na quarta-feira 21, o local estava movimentado. “Temos uma média de seis pedidos de casamento por noite”, explica Freitas.

 

Charme e história

“É possível ver toda a cidade daqui, a vista conta uma história. Temos uma média de seis pedidos de casamento por noite” – Francisco de Freitas, sommelier do Terraço Itália (Crédito:Gabriel Reis)

O sommelier trabalha no local desde 1982, começou como ajudante de garçom e hoje é o responsável pelas cartas de vinhos e drinques. “Nesses 38 anos trabalhando aqui, fiz de tudo e aprendi muito. Vi Pelé, Johnny Deep, Hebe e diversas autoridades”, afirma. Aberto todos os dias da semana, o Terraço Itália faz parte do imaginário da cidade, seja pelas celebridades ou pelas bebidas exclusivas que são servidas no local. “Quem trabalha aqui sobe até o bar para fazer o happy hour e ver a situação do trânsito”, diz Freitas. Ele, que passou um mês em Nova York estudando gastronomia e vinhos, diz que a vista de São Paulo é bem mais humana que a da cidade americana. “Lá é alto demais, você não vê a vida acontecendo”, diz ele, ao relembrar a visita às antigas Torres Gêmeas, em 2000. Seja para lazer ou trabalho, o prédio nunca foi tão atual e presente na rotina da cidade. “A imigração não fez um prédio italiano, fez uma construção moderna e universal. É maravilhoso ver como as pessoas continuam a se relacionar com o lugar”, explica Anat. O tempo passa, mas o Edifício Itália não perde a imponência e o charme.

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