Economia

Manutenção de projeção do PIB mostra cautela em meio a incertezas, diz secretário


Questionado sobre a manutenção da projeção de crescimento de 3,20% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira que a manutenção do número é “mostra de cautela em meio a um aumento de incertezas” e que a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia (SPE) trabalha guiada pelos mesmos princípios que a fizeram manter por vários meses a estimativa de queda de 4,70% para o PIB de 2020.

O secretário reconheceu que o aumento recente das medidas de restrição à circulação de pessoas por ocasião do recrudescimento da pandemia tem impacto sobre a atividade, um cenário cujas chances de acontecer foram classificadas no ano passado como “baixíssimas” pelo secretário de Política Econômica Adolfo Sachsida.

“Assim como no ano passado houve um conservadorismo e transparência da metodologia e a SPE manteve a projeção de queda de 4,70%, somente alterando no final para uma queda menor quando as estimativas do mercado já haviam tido grande redução, aqui temos também conservadorismo para este cálculo”, explicou Rodrigues.

Ele afirmou que a nova rodada de pagamento do auxílio emergencial, embora deva ter impacto fiscal bem menor do que o visto no ano passado, ajudará na recuperação econômica, além de proteger os cidadãos mais vulneráveis, “uma diretriz inabalável deste governo”.

Apesar disso, o secretário ressaltou que as projeções podem ser alteradas “conforme novos fatos sejam revelados”.


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Fatores positivos e negativos

Para Adolfo Sachsida, o novo cenário acrescentou fatores positivos e negativos para o PIB, de forma que “achamos mais prudente manter a projeção atual e, se for necessário, faremos as devidas mudanças”.

Sachsida citou como elementos positivos sobre o PIB o carregamento estatístico de 3,60% deixado pelo resultado do PIB no último trimestre de 2020, o cenário internacional “mais favorável, seja pela taxa de juros baixa ou pelos termos de troca mais favoráveis”, a expansão de crédito na economia brasileira, o aumento da taxa de poupança, que potencialmente pode se reverter em maior consumo e o fato do mercado de trabalho formal ter sido menos impactado pela pandemia do que o setor informal, dinâmica que, na perspectiva do secretário, deve favorecer a retomada mais adiante, quando a vacinação contra a covid-19 estiver mais avançada.

No sentido oposto, Sachsida mencionou como efeitos negativos sobre a atividade o recrudescimento “muito forte” da pandemia, cenário que ele julgou de “baixíssima” possibilidade no fim do ano passado, o que tem levado a aumento das medidas de restrição à circulação por parte dos governantes, principalmente governadores e prefeitos, o que impacta negativamente o consumo e a atividade.

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