Edição nº2530 15/06 Ver edições anteriores

Mantega blindado?

SUCESSOR Mantega é apontado como a pessoa que intermediava propinas ao PT depois de Palocci (Crédito:Ueslei Marcelino )

Enquanto o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci está preso há 20 meses, e na espera da homologação de seu acordo de delação premiada, outro ex-ministro de governos petistas desapareceu totalmente do radar da Lava Jato: Guido Mantega. Ele chegou a ser preso uma semana antes que Palocci, em setembro de 2016, mas foi solto no mesmo dia em razão de problemas de saúde de sua esposa, internada no Hospital Albert Einstein. Desde então, não foi chamado a prestar esclarecimentos, não foi alvo de novas operações e nem foi denunciado e processado. Há quem estranhe a situação, já que Guido Mantega é apontado por delatores da Lava Jato como sucessor de Palocci na intermediação de propinas ao PT, sobretudo a Lula e Dilma.

Palocci

Como ISTOÉ informou em sua última edição, o Ministério Público deu seu parecer sobre a delação de Palocci, enviando-a para o TRF-4 decidir sobre a homologação. O parecer foi dado sob sigilo e não se conhece seu conteúdo. Aguarda-se agora que o desembargador Gebran Neto homologue a delação, o que ainda não aconteceu.

W.O

A insistência da manutenção da candidatura de Lula à Presidência está começando a exasperar alguns petistas. Lula está preso e, ainda que não estivesse, não pode ser candidato por estar barrado pela Lei da Ficha Limpa. Mesmo assim, o PT não tem alternativa. Numa reunião de bancada, um parlamentar exaltou-se: “Nós vamos perder por W.O?”.

Despesas falsas

Divulgação

O ex-deputado federal Chico da Princesa (PR-PR) foi denunciado por ter desviado mais de R$ 500 mil da cota parlamentar para benefício próprio. Para viabilizar o desvio, ele alegava despesas falsas. Uma delas era completamente incompatível com sua atuação parlamentar. Em 48 meses de mandato, Chico da Princesa apresentou apenas um projeto de lei, mas
foi indenizado por assessoria jurídica para a atividade parlamentar.

Rápidas

* Retrato de tempos muito estranhos no Brasil atual: na terça-feira 28, manifestantes favoráveis ao que chamam de “intervenção militar” no País, gritavam a seguinte palavra de ordem em Brasília: “O povo unido, jamais será vencido”. Repetindo jargão da esquerda.

* Trata-se da mesma palavra de ordem que era utilizada nas manifestações contra a ditadura militar, duramente reprimidas nas décadas de 1970 e 1980, e que o atual grupo, considerado de direita, apoia.

* Em tempo: não há previsão constitucional para intervenção militar. Intervenção militar é eufemismo para golpe de Estado por militares, como houve em 1964 e rendeu mais de vinte anos de ditadura.

* Em meio à crise com a greve dos caminhoneiros, irritou profundamente o presidente Michel Temer o anúncio da Organização Internacional do Trabalho de inclusão do Brasil na lista de principais países com trabalho escravo.

Retrato falado

“Intervenção militar é assunto do século passado” (Crédito:Divulgação)

Integrante do grupo do governo que acompanha a greve dos caminhoneiros, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Sergio Etchegoyen, descartou qualquer possibilidade de intervenção militar no Brasil. Ele disse que não conhece nenhum militar que pense no assunto, apesar de admitir que há uma parte da população simpática à intervenção. “Eu vivo no século 21, e o século 21 está divertidíssimo. Meu farol, que eu uso para me conduzir, é muito mais potente do que o retrovisor”, disse.

Acordos parados

O acordo de ampliação econômica entre Brasil e Peru e o acordo de “céus abertos” do Brasil com os Estados Unidos estão parados no Executivo. Eles foram aprovados pelo Congresso brasileiro e deveriam ter sido encaminhados para a promulgação, mas ainda não saíram do Itaramaty. O acordo com o Peru foi assinado em 2016. O acordo de “céus abertos” com os EUA acaba com a limitação de ofertas de voos entre os dois países. Ambos foram aprovados pelo Congresso este ano. Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, o atraso na implantação dos acordos faz o Brasil perder negócios.

Toma lá dá cá

 

Deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA)

Como o senhor avalia a atuação do governo na greve dos caminhoneiros?
Faltou força e autoridade ao governo. Quando fracassou o diálogo, mesmo com todas as reivindicações do movimento atendidas, o governo tinha de ter imposto sua autoridade. Governo sem força acaba refém de movimentos assim.

Mas não poderia ser pior o uso da força?
Força não é sinônimo de autoritarismo. Juscelino Kubitschek enfrentou tentativas graves de desgaste do seu governo. Tentativas de golpe mesmo, como Aragarças. E as conteve usando de força.

Como está a relação do DEM com o governo?
Esgarçou-se. Estamos a postos para ajudar o país. Mas temos um candidato à Presidência, que é presidente da Câmara. Como presidente da Câmara, Rodrigo Maia não é nem será presidente de Michel Temer.

Compras e competição

No caso do acordo com o Peru, diz Abijaodi, o Brasil está perdendo a oportunidade de ter acesso, por exemplo, ao mercado de compras públicas do governo peruano de US$ 12,2 bilhões. O acordo com os EUA incentiva o aumento das operações áreas internacionais entre os dois países.

MDB, só que não

A senadora Rose de Freitas vive situação curiosa no Espírito Santo. Com pretensão de concorrer ao governo do Estado, ela deixou o MDB e foi para o Podemos. Não teve espaço na antiga legenda para tentar a candidatura. O governador Paulo Hartung (MDB) ainda não decidiu se será ou não candidato à reeleição, mas não permitiu o avanço de Rose.

Histórica

Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

Rose de Freitas, porém, diz ser uma emedebista histórica, com mais tempo no partido que Hartung. Assim, no plano nacional, ela mantém sua proximidade com o presidente Temer. Tanto que, mesmo com a mudança para um partido menor, conseguiu com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), manter no Senado suas estruturas.

Conciliador

Roberto Castro / AG. ISTOE

De volta ao DEM, depois de uma passagem pelo PSB, o deputado Heráclito Fortes tem atuado no sentido de tentar reconciliar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com o presidente Temer. Ele fez um almoço entre os dois e, na sequência, Rodrigo Maia teve um encontro reservado com Temer. “Espero que eles se entendam”, disse.

 


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