Comportamento

Manobra arriscada

Acusado de esconder seu patrimônio da Justiça para não pagar os credores, o ex-piloto Emerson Fittipaldi, lenda do automobilismo brasileiro, passa por uma grave crise financeira: dívidas de R$ 55 milhões

Crédito: JOSE PATRICIO

CRISE Dono de carros e artigos raros, o ex-piloto é acusado de ocultação de bens (Crédito: JOSE PATRICIO)

Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial da Fórmula-1 e figura de destaque na história do automobilismo brasileiro, passa por momentos conturbados financeiramente e é acusado de esconder seu patrimônio do Poder Judiciário para não pagar as dívidas. A crise deu margem a ações rigorosas na Justiça, como a penhora de bens, o que ameaça a manutenção em seu poder de diversos itens raros conquistados ao longo da sua vitoriosa carreira. Entre esses bens está o Copersucar-Fittipaldi, primeiro carro brasileiro a disputar uma corrida na F-1, em 1975, com um investimento estimado em US$ 7,5 milhões.

MANSÃO Segundo especialistas, Emerson luta para vender seus imóveis de luxo: sem dinheiro (Crédito: GABRIEL REIS)

De acordo com documentos sigilosos vazados pela Justiça, Emerson responde a cerca de 145 processos judiciais de cobrança de débitos, com uma dívida calculada em mais de R$ 55 milhões. Os boatos sobre a falência do ex-piloto ficam ainda mais turvos, pois há suspeitas de que ele tenha investimentos vultosos no exterior, sobretudo nos Estados Unidos, onde já morou, o que impossibilitaria as cobranças por meio de ações no Brasil. Agora, um grande banco quer a apreensão dos bens do piloto para se ressarcir de parte dos recursos dos quais é credor.

Durante a carreira de piloto, Fittipaldi faturou alto com patrocínios e premiações. Além da F-1, ele também correu por 12 anos na Fórmula Indy, tradicional competição automobilística norte-americana e chegou a vencer duas vezes o GP das 500 milhas de Indianápolis, que paga prêmio de US$ 1 milhão ao vencedor.

MUSEU Troféus e carros do piloto já foram repatriados por conta das dívidas: acervo histórico (Crédito:Divulgação)

Ainda no auge da carreira, ele deu andamento a diversos investimentos no mundo dos negócios, porém, se perdeu nas curvas. Apostou alto em plantações de laranja em fazendas no interior de São Paulo, investiu pesado em uma usina de etanol, aplicou recursos em grifes de moda, em escuderias automobilísticas e agências de marketing esportivo, entre outras empreitadas, todas sem o mesmo sucesso que obteve nas pistas.

Nos últimos três anos, os rumores de sua crise financeira tomaram conta do mercado, resultando em inúmeras ações na justiça de São Paulo e em investigações em várias instânciais judiciais. Chegou a ser atingido pela apreensão de artigos exclusivos, como carros, macacões e troféus. A crise foi tamanha que o Museu Fittipaldi, criado por ele e localizado na Avenida Rebouças, zona oeste de São Paulo, fechou por conta da penhora de automóveis e outros artigos lá expostos. Hoje, o local encontra-se desativado. A justiça chegou a reconsiderar a apreensão de alguns desses bens, depois dos pedidos feitos pelos advogados de Fittipaldi. Parte dos itens foi devolvida.

“Vou pagar todos”

A reputação do ídolo no campo financeiro foi se degradando na medida em que as acusações iam se avolumando. Há dois anos, o alvo inicial da ação jurídica foi a EF Marketing e Comunicação, empresa criada por Fittipaldi em parceria com o publicitário Washington Olivetto e apoio da agência McCann, considerada uma das maiores do setor de publicidade do mundo. A quebra do sigilo bancário do ex-piloto não encontrou valores substanciais em suas contas, fato que reforçou a tese de que ele ocultava o patrimônio.

APREENSÃO Único carro brasileiro a correr na F-1, o Copersucar foi penhorado pela Justiça (Crédito:Divulgação)

Apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro, Fittipaldi, há dois anos, atribuiu a crise em suas empresas ao período em que o PT governou o país. “Acreditei num Brasilzinho anunciado pelo PT. Investi muito na usina de etanol, que era o plano do Lula e da Dilma, mas eles acabaram dando prioridade para a gasolina da Petrobras e deixaram o programa de etanol de fora. Abandonaram o programa que era a solução para o desenvolvimento do interior do Brasil”, disse.

Desde o início da crise Fittipaldi vem negando as informações de que está em processo falimentar. No entanto, admite que fez algumas opções erradas em seus negócios. Garantiu, porém, que não vai dar calote em ninguém. “Estou recuperando meu patrimônio e tenho dinheiro para pagar todo mundo”, afirmou.

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