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De Bangcoc a San Francisco, dezenas de milhares marcham pelo clima

De Bangcoc a San Francisco, dezenas de milhares marcham pelo clima

Em Manila, um manifestante fantasiado de dinossauro levanta um cartaz onde se lê "Go Fossil-free" ("Não use energias fósseis"), em 8 de setembro de 2018 - AFP

De Bangcoc a San Francisco, passando por Bruxelas, dezenas de milhares de pessoas se manifestaram neste sábado para exigir aos governos que tomem ações concretas para mitigar as mudanças climáticas, em plena preparação para a COP24.

No total, cerca de 1.000 manifestações e eventos foram organizados em mais de 100 países, como parte do “Rise for climate” (“Levante-se pelo clima”).

De Melbourne a Bangcoc, onde se realiza uma reunião para preparar a cúpula do clima, a COP24, as manifestações começaram na Ásia – onde se registrou baixa participação – e na Oceania, seguiram na Europa e continuaram na América.

“Os acontecimentos climáticos extremos ameaçam nossas crianças. A única forma de salvaguardar nosso futuro é uma ação pelo clima ambiciosa, e agora”, tuitou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Na Europa, as concentrações foram realizadas especialmente em Paris e Bruxelas.

Na França, 115.000 pessoas participaram nos atos, segundo os organizadores. Em Paris cerca de 50.000 pessoas desfilaram, segundo essas fontes, embora a polícia tenha reduzido a cifra a 18.000.

“Trata-se da maior manifestação pelo clima já realizada na França, uma prova de que os cidadãos estão prontos para pedir que lhes prestem contas”, comentou Clémence Dubois, responsável pelas campanhas da 350.org na França.

“Vou ser pai em dezembro, quero que meu filho tenha um planeta habitável, um lugar onde viver, que possa ter netos”, explicou Maxime Lelong, impulsor desta marcha na França.

– Sociedade sem carbono –

Cerca de 700 cientistas franceses lançaram neste sábado um chamado, publicado pelo jornal Libération, aos dirigentes políticos para que passem “do encantamento aos atos para se dirigir a uma sociedade sem carbono”.

Em Bruxelas, uma concentração organizada diante do Parlamento Europeu reuniu cerca de mil pessoas segundo os organizadores (Greenpeace e o coletivo Coalition Climat).

“A ideia era chamar a atenção dos representantes e dos governos desde a capital europeia. Há muitos ‘lobbys’ aqui e percebemos que as ONGs não têm peso ante eles”, declarou à AFP Kim Le Quang, um professor que participou da concentração.

Na Ásia, foi na capital filipina, Manila, que ocorreram as manifestações mais importantes, com 800 participantes. Um deles, disfarçado de dinossauro, carregava um cartaz onde se lia “Go Fossil-free” (“Não use energias fósseis”). O arquipélago filipino depende em grande parte das usinas de carvão.

Em San Francisco, milhares de pessoas desfilaram em um ambiente festivo e político, com cartazes críticos ao presidente Donald Trump, que retirou os Estados Unidos do acordo sobre mudanças climáticas de Paris e tenta anular as leis ambientais promulgadas sob a presidência de Barack Obama.

San Francisco será sede, a partir de 12 de setembro, da cúpula mundial das cidades e empresas pelo clima, organizada pelo governador da Califórnia em resposta à política de Trump.

– “EUA são grande parte do problema” –

Em Bangcoc, cerca de 200 manifestantes se reuniram em frente à sede regional da ONU, onde ocorre até domingo uma reunião de preparação para a COP24, prevista para daqui a três meses na Polônia.

“Condenamos o presidente Trump que se retirou dos acordos de Paris”, denunciou em Bangcoc Lidy Nacpil, representante do Asian People’s movement in Debt and Developpement, um movimento asiático que reivindica um maior envolvimento dos países ricos, especialmente de Washington.

“Os Estados Unidos são uma grande parte do problema das mudanças climáticas, então têm que fazer parte da solução”, disse.

Outros manifestantes criticaram as usinas de carvão, ainda muito utilizadas na Tailândia, e a lentidão com que estão sendo feitas as negociações em Bangcoc para implementar o pacto de 2015.

Na Austrália, os organizadores levaram ao porto de Sydney, em frente à sua emblemática ópera, um barco com o cartaz “Rise for climate”.

Centenas de manifestantes se reuniram em frente ao gabinete do primeiro-ministro, Scott Morrison, pedindo que “retire o carvão da política”.