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Manifestantes em Hong Kong se preparam para grande protesto no domingo

Manifestantes em Hong Kong se preparam para grande protesto no domingo

Manifestantes pró-democracia bloqueiam acesso a portões de embarque, no aeroporto de Hong Kong - AFP

Milhares de manifestantes pró-democracia foram às ruas neste sábado (17), em Hong Kong, e se dispersaram à tarde, guardando energia para a concentração de amanhã.

Diversos partidários do governo também se concentraram hoje à tarde em um parque para criticar o movimento pró-democracia e apoiar a polícia, uma demonstração das crescentes divisões na cidade.

A União Europeia (UE) pediu, neste sábado, um “amplo e abrangente diálogo” para “acalmar a situação” em Hong Kong, considerando essencial “mostrar moderação e rejeitar a violência”.

A ex-colônia britânica vem experimentando sua pior crise política desde o início de junho, com manifestações quase diárias.

Na última terça-feira (13), os manifestantes bloquearam a área de embarque do aeroporto da cidade e agrediram dois homens acusados de serem espiões chineses.

A propaganda da China não demorou a usar a história, e a imprensa estatal publicou uma enxurrada de artigos, imagens e vídeos sobre o assunto. Eles também espalharam imagens de soldados chineses e veículos blindados do outro lado da fronteira, em Shenzhen.

Os Estados Unidos alertaram a China de que uma intervenção militar seria um “grande erro”. Já os especialistas antecipam o desastre econômico e de imagem que esta escolha teria para o gigante asiático.

– Manifestações rivais –

As manifestações no sábado começaram com milhares de professores marchando sob uma chuva torrencial para apoiar o movimento pró-democracia.

À tarde, uma multidão ainda maior se reuniu em Hung Hom e To Kwa Wan, dois bairros portuários populares entre os turistas chineses da parte continental. Duas instalações pró-Pequim foram vandalizadas.

“O governo ainda não respondeu a uma única reivindicação e intensificou a pressão da polícia para reprimir a voz do povo”, disse um manifestante de 25 anos que se identificou à AFP como Marte.

“Se não sairmos (às ruas), nosso futuro, nossa próxima geração, enfrentará mais repressão”, acrescentou.

A principal manifestação do fim de semana está marcada para o domingo, um verdadeiro teste da determinação tanto dos ativistas pró-democracia como das autoridades leais a Pequim.

Também neste sábado, partidários de Pequim se reuniram em massa em um parque, onde vários oradores denunciaram a violência das manifestações. Vídeos de recentes confrontos com a polícia foram projetados em um telão.

“Seus atos não são humanos, se tornaram monstros”, disse Irene Man, uma aposentada de 60 anos, ao criticar o movimento pró-democracia.

– “Racional, não violenta” –

Os ativistas pró-democracia mais ortodoxos entraram em confronto com a polícia no bairro de Mong Kok, cenário de tumultos nas últimas semanas. Bloquearam estradas, e a tropa de choque fez disparos para dispersar a multidão.

No final da tarde, a maioria dos ativistas decidiu ir embora, alegando que guardará as energias para o ato de domingo. Convocado pela Frente Civil dos Direitos Humanos, o protesto de amanhã está sendo anunciado como “racional, não violento”.

A polícia deu sinal verde apenas para a concentração, proibindo a multidão de fazer passeata pela ruas. Nas últimas semanas, porém, os manifestantes quase sempre ignoraram os vetos, o que levou a confrontos com os agentes.

As autoridades justificam essas proibições pela violência cada vez mais recorrente durante as manifestações, nas quais alguns jovens atacaram delegacias de polícia. Mais de 700 manifestantes foram detidos em mais de dois meses de protestos.

A mobilização surgiu em junho passado para rejeitar um projeto de lei polêmico que autorizava extradições para a China. Depois, seus organizadores expandiram a pauta de reivindicações. Entre suas demandas, está o “verdadeiro” sufrágio universal, em um contexto de medo da crescente interferência de Pequim na política local.