Manifestações na Turquia após prisão violenta de fotógrafo da AFP

Manifestações na Turquia após prisão violenta de fotógrafo da AFP

Dezenas de jornalistas se manifestaram nesta terça-feira (29) em Istambul e Ancara para denunciar a violência policial contra a imprensa após a prisão violenta de um fotógrafo da AFP no sábado.

O fotojornalista Bülent Kiliç, vencedor de vários prêmios, foi detido no sábado enquanto cobria os desfiles do Orgulho em Istambul. Durante sua prisão, os policiais pressionaram o joelho sobre suas costas e pescoço, dificultando sua respiração.

Kiliç foi solto após várias horas em uma delegacia e apresentou uma denúncia por “detenção violenta”.

Para denunciar o tratamento recebido pelo fotógrafo, cerca de 80 pessoas, em sua maioria jornalistas, se reuniram nesta terça-feira em frente à sede do governo de Istambul, aos gritos de “a imprensa não pode ser silenciada” e “uma imprensa livre e um país livre”.

Outros vinte manifestantes se reuniram em Ancara mostrando as imagens de Kiliç imobilizado no chão pelos agentes e cartazes que diziam: “não consigo respirar”.

“Nossos colegas são vítimas de violência quando fazem seu trabalho”, lamentou Esra Kocak Mayda, presidente da sucursal em Ancara da Associação de Jornalistas da Turquia.

O representante no país da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Erol Onderoglu, pediu ao governo turco para “dar instruções claras às forças de segurança para que encerrem essas práticas inaceitáveis e injustas antes que seja tarde demais”.

Em uma carta dirigida às autoridades turcas, o presidente da AFP, Fabrice Fries, “protestou firmemente” contra a detenção de Kiliç e pediu para “investigar sem demora este incidente e tomar as medidas necessárias para que os policiais envolvidos prestem contas”.

As ONGs denunciam frequentes violações da liberdade de imprensa na Turquia, especialmente desde a tentativa de golpe de 2016, após a qual dezenas de jornalistas foram detidos e vários veículos da mídia considerados hostis foram fechados.

O país ocupa a 153º posição 180 no ranking anual de liberdade de imprensa da RSF.