Da IstoÉ com ANSA
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, enfrenta um novo mandado de prisão emitido na quarta-feira (29) pelo Ministério Público do país, sob acusações de terrorismo, levante armado e outros delitos. As imputações estão diretamente relacionadas aos bloqueios de estradas que paralisaram a nação por 53 dias.
A medida foi expedida pela Promotoria do Departamento de Santa Cruz, decorrente de uma denúncia apresentada pelo Comitê Pró-Santa Cruz.
O que aconteceu
- Novo mandado de prisão é emitido contra Evo Morales por acusações de terrorismo e levante armado.
- As imputações estão ligadas aos bloqueios de estradas que paralisaram a Bolívia por 53 dias, resultando em 22 mortes e 88 feridos.
- Morales rejeita as acusações, classificando-as como perseguição política do atual governo direitista e uma manobra para ocultar a crise econômica e social do país.
Morales é investigado por seis supostos crimes, incluindo colocar em risco a segurança do Estado e dos transportes, associação criminosa e incitação pública à prática de crime.
O ex-presidente, por sua vez, rejeitou veementemente as acusações, descrevendo a medida como uma perseguição política orquestrada pelo atual governo direitista de Rodrigo Paz. Segundo ele, a administração em exercício busca desviar a atenção da profunda crise econômica e social que assola o país.
“O governo emitiu uma nova ordem de prisão contra mim, acusando-me de supostos crimes de terrorismo e insurreição armada. Buscam responsabilizar-nos pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social, fruto de um modelo que abandonou o povo e protege a corrupção”, escreveu Morales em sua conta na rede social X, reiterando que a “luta junto ao povo continua”.
É perseguição política, como alega Evo Morales?
“Não nos intimidarão”, reforçou o ex-chefe de Estado progressista, que governou a Bolívia de 2006 a 2019. Ele tem sido uma figura central nas disputas políticas bolivianas após sua saída do poder.
Os protestos mencionados, que tiveram início em maio e se estenderam por semanas, contaram com o apoio de setores do agronegócio, da Central Operária Boliviana e de organizações aliadas a Morales. Esses eventos resultaram em um saldo trágico de pelo menos 22 mortes e 88 feridos, conforme dados divulgados pela Ouvidoria e por diversas organizações sociais.
Qual a situação jurídica do ex-presidente?
Este é o segundo mandado de prisão expedido contra Evo Morales. O primeiro, emitido em 2024, decorre de uma investigação aberta em Tarija sobre um suposto tráfico de pessoas, relacionado a um relacionamento com uma menor durante seu período de governo.
O presidente da Suprema Corte de Justiça (STJ) da Bolívia, Rómer Saucedo, afirmou que todos os mandados de prisão devem ser cumpridos e que cabe às autoridades policiais dar o devido prosseguimento ao caso, conforme a legislação vigente no país.