O Brasil registrou uma queda de 30% nas mortes por malária em 2025, com os óbitos caindo de 56 em 2024 para 39 no ano passado. Este avanço, anunciado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, representa o menor número de casos da doença desde 1978, atribuído à ampliação do diagnóstico e à introdução de novos tratamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
- Mortes por malária no Brasil caíram 30% em 2025, atingindo o menor número de casos desde 1978.
- A redução é resultado da oferta da tafenoquina, medicamento em dose única incorporado ao SUS em 2023, e da ampliação do diagnóstico.
- O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou avanços no combate à malária, especialmente em terras indígenas e na Região Amazônica.
Os 118.037 registros da doença contraídos no território nacional em 2025 representam um recuo de 15% em relação a 2024. “Chegamos à menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos na nossa história”, afirmou Alexandre Padilha nesta segunda-feira (17), após participar do 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília.
Como a tafenoquina impacta o tratamento?
Os números positivos resultam do início da oferta da tafenoquina no SUS. O medicamento, usado em dose única desde 2024, previne novas manifestações da malária. Além disso, a ampliação do diagnóstico, com a oferta de testes e tratamento adequado, contribuiu significativamente para a redução.
A tafenoquina é considerada pelo Ministério da Saúde como um dos principais avanços nos tratamentos disponíveis no SUS. O fármaco foi incorporado em 2023 para pacientes adultos, com 16 anos ou mais e peso a partir de 35 quilos. Sua ação prolongada em dose única ajuda a evitar a recorrência da doença.
Até junho de 2026, a tafenoquina foi incluída no tratamento de mais de 33,7 mil pessoas. Entre os pacientes, 3.920 tratamentos foram registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
“[Em 2025] tivemos redução de mais de 40% em terra indígena, mais de 40% em áreas de assentamento rural e em assentamentos na região amazônica brasileira, que é uma das maiores em incidência de casos de malária. O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a incorporar a tafenoquina, que é uma nova medicação para o tratamento da malária”, informou o ministro Padilha.
Avanços no combate à malária em áreas indígenas
Conforme dados do Ministério da Saúde, no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, 1.515 pessoas receberam tratamento com o medicamento. Segundo o Ministério, entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre janeiro e julho, os casos da doença diminuíram 55%, passando de 17 mil para 7,6 mil, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo Padilha, o território Yanomami foi a primeira área indígena onde o medicamento foi aplicado no tratamento contra a malária.
“Conseguimos felizmente interromper o verdadeiro genocídio que acontecia no povo Yanomami. Tivemos redução de mais de 50% nos casos de malária no território Yanomami e mais de 70% nos óbitos por malária. Isso não só com as ações combinadas contra a malária, mas com a recuperação nutricional daquele povo”, disse o ministro Alexandre Padilha.
A tafenoquina também está disponível em uma formulação destinada a crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos, desde março de 2026. Até junho do mesmo ano, 1.446 crianças e adolescentes receberam este tratamento no país.
Por que o sarampo exige atenção?
Alexandre Padilha disse ainda que também está havendo um reforço de vacinação contra o sarampo em todo o Brasil após o registro de 38 casos importados da doença identificados em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. “Nesse momento temos reforçado a vacinação de sarampo em todo o Brasil”, comentou.
“Não à toa em 2024, o Brasil recuperou o certificado de país livre de sarampo. Em 2025, mesmo com os 38 casos importados, por causa da vacinação não perdemos o certificado [o certificado de país livre de sarampo]”, relatou.
Conforme o ministro, em 2019 o Brasil perdeu o certificado por falta de ações de controle da doença que resultaram em casos de sarampo em Guarulhos, São Bernardo e São Paulo. A capital, segundo ele, chegou a ter 20 mil registros naquele momento. Nessas cidades, a faixa vacinal foi ampliada.
“Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo estamos vacinando todos a partir de 6 meses a 59 anos, independente se foram vacinados ou não ou de checar a carteira de vacinação. Já ultrapassamos 70 mil pessoas vacinadas na cidade de São Paulo”, afirmou.
Padilha informou que os casos importados de sarampo nas três cidades tinham cepas que circularam nos Estados Unidos e no Canadá. “O continente americano desde 2025 vem tendo uma explosão de casos na América do Norte. Os Estados Unidos, Canadá e México são responsáveis por mais de 75% dos casos no continente americano”, concluiu.