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Malala e a revanche feminina

Malala e a revanche feminina

Malala “Conto minha história não porque seja única, mas porque não é”

Mundo/Direitos Humanos 2012

Em outubro de 2012, dois homens armados invadiram um ônibus escolar no Paquistão atrás de apenas um alvo, que atingiram duas vezes na cabeça: Malala Yousafzai, à época com 15 anos de idade. O “crime” pelo qual Malala fora condenada pela Justiça informal do talibã e atacada é praticado por milhares de adolescentes em todo o mundo: escrever um blog. Em “Diário de uma estudante paquistanesa”, publicado na página da BBC, ela ousou desobedecer à determinação que proibiu às meninas de seu país serem educadas em escolas. Malala defendia esse direito. Ganhou fama, um prêmio e passou a dar entrevistas. Em represália, foi condenada à morte.

Surpreendentemente, Malala sobreviveu ao ataque. O mundo todo passou a acompanhar o caso, em tempo real, quando ela foi transferida e operada em Birmingham, na Inglaterra. Ela se tornou símbolo de um mundo que tem pedido mais igualdade e oportunidades para as mulheres. Depois de uma longa temporada no hospital, de onde saiu sem sequelas, passou a usar ainda mais sua visibilidade para defender o direiro à educação. Segundo dados da Unesco, 65 milhões de meninas estão fora das escolas em todo o mundo.


Cinderela moderna

“Se a Malala não fosse tão articulada e segura, ela não saberia o que dizer e teria sido esquecida”, diz a jornalista Adriana Carranca, autora de “Malala, a Menina que Queria ir para a Escola”, com 50 mil exemplares vendidos. “Ela mostra como o poder de uma única escola e o apoio da família são transformadores”, acredita Adriana, para quem Malala virou uma espécie de Cinderela moderna, uma heroína num mundo com mais diversidade e em que as crianças pedem novos modelos a serem seguidos. Malala começou a receber prêmios e, ao agradecer cada um deles, discursava em favor da educação e dos direitos das mulheres.

Em 2014, Malala tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz. “Quando minhas amigas e eu enfeitávamos nossas mãos com hena para ocasiões especiais, em vez de desenhar flores, pintávamos as mãos com fórmulas e equações matemáticas”, disse ao receber o Nobel. “Tínhamos sede de educação porque nosso futuro estava bem ali, naquela sala de aula. Conto minha história não porque seja única. Mas porque não é.” Parte do US$ 1,1 milhão do Nobel, dividido com o ativista indiano Kailash Satyarthi, que também luta pelos direitos das crianças, foi usado para erguer escolas para meninas no Paquistão, onde ela e os pais mantêm a Fundação Malala para a educação.

“Malala mostrou como o poder de uma única escola e o apoio da família são transformadores” Adriana Carranca, jornalista e autora de “Malala, a Menina que Queria ir para a Escola”
“Malala mostrou como o poder de uma única escola e o apoio da família são transformadores” Adriana Carranca, jornalista e autora de “Malala, a Menina que Queria ir para a Escola”