Brasil

Mais um herdeiro de ACM

Filho do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima e da embaixatriz Lucia Flecha de Lima, Luiz Antônio, o Tota, pede o reconhecimento de paternidade e o direito à herança do senador baiano e paralisa inventário de R$ 500 milhões

Crédito: ADRIANO MACHADO

REVELAÇÃO Antes de morrer, em 2007, ACM contou para Tota que era seu pai biológico (Crédito: ADRIANO MACHADO)

FAVAS CONTADAS Luiz Antônio, o Tota, aguarda o teste de DNA para confirmar sua filiação (Crédito:Divulgação)

O político e empresário baiano Antônio Carlos Magalhães, conhecido como ACM, foi um dos homens mais poderosos e temidos de seu tempo. Paparicado pela ditadura, governou a Bahia três vezes, duas como biônico dos militares pela Arena e depois sendo eleito pelo PFL, em 1989. Mais tarde, como senador, mandava e desmandava no estado, foi apelidado de “Toninho Malvadeza” e era muito influente no debate nacional. Quando morreu, em 2007, havia amealhado uma grande fortuna pessoal e deixou um espólio avaliado em R$ 500 milhões, que incluía imóveis no Rio de Janeiro e na Bahia, obras de arte (ele era dono de uma das principais coleções de obras sacras do País) e grandes lotes de ações de empresas como Petrobras e Vale. Seu inventário corre há 13 anos na Justiça e teve vários acidentes de percurso. O último e mais impressionante é o pedido de teste de DNA e reconhecimento de paternidade de ACM feito pelo empresário Luiz Antônio Flecha de Lima, o Tota, de 45 anos, na 14a Vara da Família em Salvador. Tota é filho do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, atualmente com graves problemas de saúde, e da embaixatriz Lúcia Flecha de Lima, falecida em 2017. Agora, ele quer que sua certidão de nascimento inclua o nome do senador baiano como pai biológico e o direito à herança.

ROMANCE Amiga de Lady Di, Lucia teve um relacionamento afetivo com o senador em 1974 (Crédito: Gustavo Miranda)

A ação foi aberta em 2019 e o teste de DNA, que será feito com o primogênito do senador, ACM Júnior, teve que ser adiado por causa da pandemia

A ação foi aberta em 2019 e o teste de DNA, que seria feito com o primogênito de ACM, Antônio Carlos Magalhães Júnior, inventariante do espólio, teve que ser adiado por causa da pandemia e só deverá ser realizado depois das vacinações. Mas o resultado é favas contadas. Além da semelhança física, em família a paternidade sempre foi dada como certa. ACM teve um cuidado especial com Tota desde o seu nascimento e a embaixatriz, como uma de suas últimas vontades, admitiu o fato para o filho. No pedido de reconhecimento de paternidade consta que Lúcia teve um relacionamento afetivo com ACM em 1974 e, como era casada com Paulo Tarso, decidiu registrar, um ano depois, o menino como filho do casal. O próprio senador, antes de morrer, revelou para Tota que era seu pai biológico. Lúcia se tornou muito conhecida pelo público por ter sido melhor amiga e confidente de Lady Di, nos tempos em que seu marido era embaixador em Londres. Paulo de Tarso foi um dos diplomatas brasileiros mais destacados no século 20, e comandou outras embaixadas estratégicas, como Washington e Roma.

LAÇOS Paulo Tarso, considerado um dos mais importantes diplomatas brasileiros no século XX, era amigo fraterno de ACM

Rede bahia

Ao longo de sua vida pública, ACM, além de protagonizar o debate político no Brasil, construiu um império de comunicação, a Rede Bahia, que reunia sete emissoras de televisão, todas retransmissoras da TV Globo, três de rádio, um jornal e várias outras empresas, entre elas a Construtora Santa Helena. Também mantinha relações umbilicais com a empreiteira OAS, controlada pelo seu genro, o empresário César Mata Pires. A participação na Rede Brasil não aparece no espólio de ACM, mas durante os primeiros anos do inventário dos seus bens, os interesses familiares no grupo causaram muitos conflitos e rompimentos. Somente em 2013, Mata Pires chegou a um acordo com os irmãos de sua mulher, a filha mais velha de ACM, Tereza. O casal acabou renunciando aos direitos de Tereza na herança de R$ 500 milhões em troca de ajustes nas participações acionárias nas empresas. Essa decisão acabou abrindo caminho para a venda da participação de 30% que Mata Pires tinha na Rede Bahia para a EPTV, da família paulista Coutinho Nogueira. Além do inventariante ACM Júnior e de Tereza, os filhos do ex-deputado Luis Eduardo Magalhães, morto em 1998, têm direito à herança do senador. Agora, tudo indica, Tota também deve participar da divisão da fortuna deixada por ACM.