Mundo

Mais da metade dos médicos venezuelanos emigraram entre 2012 e 2017

Mais da metade dos médicos venezuelanos emigraram entre 2012 e 2017

Trabalhadores da saúde e pacientes protestam contra a escassez de remédios e insumos médicos e as más condições dos hospitais, em Caracas, em 17 de abril de 2018 - AFP/Arquivos

Mais da metade dos médicos venezuelanos, em sua maioria de hospitais públicos, abandonaram o país entre 2012 e 2017 em consequência da crise econômica, revelou um relatório sobre o direito à saúde publicado nesta quinta-feira por ONGs.

“Entre 2012 e 2017, 22.000 médicos venezuelanos emigraram”, o que “representa uma perda de ao menos 55% de um total de 39.900 registrados pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2014”, destaca o relatório.

A investigação foi realizada por 12 organizações não governamentais que defendem os direitos dos pacientes.

Houve, ainda, a saída de 6.030 enfermeiras (24% de 24.500, segundo a Opas em 2014), aumentando para 74% o déficit de enfermeiros no país, detalhou o relatório.

O texto acrescenta que 18,7 milhões dos cerca de 30 milhões de venezuelanos “não têm garantias de acesso a diagnósticos nem a tratamentos”.

As ONGs afirmam que o país petroleiro vive uma “emergência humanitária”, o que é negado pelo governo do presidente Nicolás Maduro, que argumenta que se trata de uma campanha para justificar uma intervenção militar estrangeira.

Maduro afirma que os emigrantes nos últimos dois anos não passam de 600.000, embora a ONU estime que cerca de 2,3 milhões (7,5% da população) vivem no exterior, dos quais 1,9 milhão foram embora desde 2015.

A crise da saúde se manifesta também com uma escassez de remédios de 85% em farmácias e de 88% em hospitais, segundo sindicatos.

Com uma hiperinflação que pode terminar 2018 em 1.350.000%, os poucos medicamentos disponíveis resultam inacessíveis para a maioria, assim como os serviços de medicina privada.