Mais da metade dos italianos vê imigração como ‘risco’, diz pesquisa

ROMA, 6 MAR (ANSA) – Um estudo divulgado nesta sexta-feira (6) mostra que a maioria da população da Itália enxerga a imigração como um “risco” e superestima o tamanho da presença estrangeira no país.   

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Eurispes e revela a distância entre a realidade dos números e a percepção social do fenômeno migratório entre os italianos.   

Segundo o estudo, 57,8% dos entrevistados enxergam a imigração, de uma forma geral, como um “risco”. Além disso, o levantamento indica que mais de 51% da população tende a superestimar o contingente de estrangeiros na Itália: 34,8% acredita que os imigrantes representam mais de um quinto da população, enquanto 16,4% acha que essa proporção é de um terço.   

Os dois grupos estão bastante distantes da realidade, na qual os estrangeiros respondem por 9% da população italiana, enquanto os muçulmanos são apenas 5%.   

“A real compreensão do fenômeno aparece muitas vezes distorcida, especialmente em relação às dimensões da presença, à distribuição, à origem, ao credo religioso e à criminalidade”, disse Gian Maria Fara, presidente do Eurispes.   

A visão desfavorável se intensifica quando o assunto é a imigração irregular, avaliada de forma negativa por 70,6% dos entrevistados, enquanto apenas 3,6% têm uma opinião positiva sobre o tema. Para efeito de comparação, a imigração regular é vista de maneira positiva por 47,4% das pessoas e de forma negativa por 16,9% De forma geral, 81,3% dos pesquisados associam a chegada de imigrantes a um problema para o país. Para 62,7%, a presença crescente de estrangeiros não integrados nas periferias urbanas aumenta o risco de conflito social.   

Já 21,5% dos italianos atribuem a culpa pela criminalidade sobretudo aos estrangeiros, enquanto 36,2% acreditam que existem nacionalidades mais envolvidas em atividades criminosas, citando especificamente romenos e, de forma genérica, “norte-africanos”.   

(ANSA).