Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

A aliança centrista do presidente Emmanuel Macron dispõe de 250 deputados na nova legislatura na França, 39 a menos que o necessário para a maioria absoluta, informa a edição desta quarta-feira (29) do Diário Oficial, no momento em que o governo examina se enfrentará ma moção de confiança.

“Nenhuma decisão foi tomada a respeito”, disse a porta-voz do governo, Olivia Grégoire, ao explicar que uma “declaração” do Executivo será apresentada às duas câmaras do Congresso no dia 5 de julho.

Ao contrário de 2017, quando Macron conseguiu maioria absoluta nas eleições legislativas, seu então primeiro-ministro, Edouard Philippe, foi submetido a um voto de confiança após sua declaração de política geral.

A atual chefe de Governo, Élisabeth Borne, decidiu optar por outra forma de falar aos deputados e senadores, enquanto prossegue conversando com os diferentes partidos sobre a possibilidade de aplicar o programa reformista e liberal de Macron.

O presidente, reeleito em 24 de abril para um segundo mandato de cinco anos, não terá vida fácil. Os partidos de oposição já rejeitaram a possibilidade de integrar um governo conjunto ou de estabelecer um acordo global de legislatura.

Dos 577 deputados da Assembleia Nacional (Câmara Baixa), os três grupos da aliança Juntos! de Macron contam com 250, depois de adicionar parlamentares com ideias similares à bancada, como Stéphane Vojetta, que derrotou o ex-primeiro-ministro Manuel Valls.

Para alcançar a maioria absoluta de 289 deputados, eles a aliança poderia contar com o apoio do partido Os Republicanos (direita), que tem 62 parlamentares, mas que já se apresentou como um grupo de “oposição”, disposto a estabelecer acordos específicos.

O governo já expressou relutância em alcançar acordos com os outros dois grupos que permitiriam superar o número de 289 e que considera “extremos”: a ultradireita de Marine Le Pen (89) e a França Insubmissa (estrema-esquerda, 75).

Este último partido disputou as legislativas em uma frente unida de esquerda (NUPES), que terá quatro grupos na Assembleia: LFI, os socialistas (31), os ecologistas (23) e os comunistas e seus aliados de territórios de ultramar (22).

O 10º grupo da Assembleia Nacional será formado por 16 deputados de várias tendências – nacionalistas da Córsega, centristas, etc -, segundo o Diário Oficial. Nove parlamentares não estarão inscritos em nenhuma bancada.