Economia

Máfia siciliana é julgada por fraude com fundos agrícolas da União Europeia

Máfia siciliana é julgada por fraude com fundos agrícolas da União Europeia

Vista aérea da costa siciliana, no Estreito de Messina, em 7 de julho de 2020


Cerca de 100 membros ou associados da máfia siciliana estão sendo julgados até esta terça-feira (2) por participarem de uma fraude milionária para se apropriarem por anos dos subsídios agrícolas concedidos pela União Europeia.

Trata-se de um “macro julgamento”, com 97 pessoas no banco dos réus, realizado no tribunal de Messina, na Sicília, após uma das maiores operações antimáfia já realizadas na ilha.

O caso envolve dois clãs da máfia rivais que operam ao redor da cidade de Tortorici, dentro do extenso Parque Nacional de Nebrodi, no nordeste da ilha, mas com ligações com a temida Cosa Nostra, explicaram os juízes.

A fraude consistia na localização sistemática de partes de terra na região, cujos proprietários não haviam solicitado subsídios da UE, criando títulos falsos para essas terras ou obrigando os proprietários a assinarem contratos de aluguel falsos para ‘laranjas’ da máfia.

Desde 2013, os clãs obtiveram mais de 10 milhões de euros (12 milhões de dólares) em subsídios para terras rurais por meio da agência italiana AGEA, que coordena e concede os auxílios da UE.


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“Foi um dano muito sério para a economia legal e negou recursos públicos substanciais a operadores honestos”, escreveu o juiz no mandado de prisão assinado em janeiro de 2020, durante o qual foram feitas prisões em massa e mais de 160 apreendidos.

A fraude foi realizada com a cumplicidade de ex-funcionários da AGEA, um tabelião e gerentes de centros privados de assistência à agricultura, que produziram a documentação necessária para os pedidos de subsídio.

Esses administradores, segundo os juízes, tiveram acesso aos bancos de dados para detectar os lotes que poderiam explorar e sabiam como acessar o sistema.

A abertura do julgamento foi assistida pelo ex-presidente do Parque Nebrodi, Giuseppe Antoci, um ativista antimáfia, que em 2015 introduziu um protocolo de arrendamento de terras para evitar fraudes por parte dos clãs.

Antoci sobreviveu a uma tentativa de assassinato da máfia.

O chamado protocolo Antoci é aplicado hoje em todo o país.

“Nós atingimos a máfia mais rica, poderosa e violenta com uma operação sem precedentes e é por isso que eles tentaram me matar”, disse Antoci nesta terça-feira.

“Estou aqui para olhá-los nos olhos, sem medo … e com a única força que tenho, a do Estado”, acrescentou.

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