Familiares dos chefes da máfia italiana “Ndrangheta, Patrick e Nicola Assisi, assumem a gestão das operações de tráfico de cocaína entre a América do Sul e a Europa. A informação foi revelada nesta quinta-feira (17) pela Operação “Eredità” (“Herança”), deflagrada em conjunto por autoridades italianas e brasileiras após a prisão dos dois mafiosos no Brasil em 2019.
Máfia “Ndrangheta: Familiares de Patrick e Nicola Assisi assumem o controle do tráfico de cocaína internacional.
- Operação “Eredità”: Ação conjunta entre Brasil e Itália cumpre mandados de prisão e busca contra a rede criminosa.
- Grandes apreensões: Foram vinculadas à rede pelo menos 11 apreensões, totalizando 4,6 toneladas de cocaína entre 2019 e 2020.
A ação conjunta resultou no cumprimento de oito mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão no Brasil. Os alvos são familiares e pessoas ligadas aos Assisi, incluindo Paula Simões, esposa de Patrick Assisi.
As diligências ocorreram em Palhoça (SC), São Paulo, São Caetano do Sul, Santos e Americana, evidenciando a capilaridade da rede criminosa no território brasileiro.
Detalhes da Operação “Eredità”
A frente italiana da investigação foi conduzida pelo Ministério Público de Turim, por meio de sua Direção Distrital Antimáfia (DDA), sob a coordenação da Direção Nacional Antimáfia e Antiterrorismo. No Brasil, a operação contou com a participação da Polícia Federal e o apoio do ROS (Grupo de Operações Especiais) dos Carabineiros.
Segundo os investigadores, a nova organização criminosa continuou a obter drogas e a providenciar seu envio para a Europa. Para isso, utilizavam os mesmos contatos e canais empregados antes das prisões de Patrick e Nicola Assisi em 2019.
Familiares e associados de confiança mantinham vínculos cruciais com fornecedores de drogas e com os indivíduos responsáveis pela gestão logística e financeira dos carregamentos, garantindo a continuidade do fluxo.
Como a rede criminosa opera no tráfico internacional?
As cargas de cocaína tinham origem na América do Sul e eram escoadas pelo porto brasileiro de Paranaguá, no Paraná. Dali, seguiam para diferentes países europeus, incluindo a Itália, principal destino final da droga.
Pelo menos 11 apreensões foram realizadas entre 2019 e 2020, totalizando impressionantes 4,6 toneladas de cocaína, todas vinculadas a essa rede. Um dos carregamentos, pesando aproximadamente 2,2 toneladas, já estava no Brasil quando os mafiosos da família Assisi foram presos e foi posteriormente movimentado pelo grupo que assumiu o empreendimento criminoso.
Lavagem de dinheiro e bens apreendidos
O inquérito também identificou um complexo sistema de transferência e ocultação dos lucros obtidos com o tráfico de drogas. O dinheiro teria sido movimentado por meio de intermediários financeiros, empresas de fachada e investimentos no setor imobiliário, além da aquisição de bens de alto valor.
Os integrantes da rede também utilizavam plataformas de comunicação criptografada para dificultar o rastreamento pelas autoridades, um padrão comum em operações de grande porte do crime organizado.
Como parte da operação, foram determinadas medidas patrimoniais que incluem a apreensão de imóveis e o bloqueio de ativos financeiros, contas bancárias e investimentos. O valor total dos bens e recursos atingidos ainda está sendo calculado, mas espera-se que seja significativo.
“Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos identificados no decorrer das investigações”, diz a nota oficial do governo brasileiro.
Investigações anteriores e prisões dos Assisi
A Operação Eredità é resultado de novos desdobramentos das investigações anteriores, denominadas “Retis” e “Spiderweb”, que já monitoravam as atividades da “Ndrangheta no Brasil.
Patrick Assisi, condenado a mais de 30 anos de prisão por tráfico de drogas pela Justiça da Itália, está detido em Brasília desde julho de 2019. Ele foi encontrado pela Polícia Federal (PF) em uma cobertura de luxo na Praia Grande, litoral paulista, demonstrando o alto padrão de vida mantido com o tráfico.
Na ocasião, as autoridades apreenderam armas, munições, cocaína, maços de euros, dólares e R$ 770 mil em espécie, além de celulares e documentos falsos. A operação foi realizada em parceria com a Interpol e a Polícia da Itália, evidenciando a cooperação internacional.
Patrick fora detido junto com seu pai, Nicola Assisi, condenado na Itália a 14 anos de prisão por tráfico de drogas e ligação com um braço da máfia calabresa. A dupla de italianos é suspeita de ser correspondente da máfia “Ndrangheta na América do Sul e estava foragida desde 2014, tendo passado por Portugal e Argentina utilizando nomes falsos para evadir-se da justiça.
Da IstoÉ com ANSA
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