Sete supostos integrantes do clã Senese, facção ligada à máfia napolitana Camorra e com atuação em Roma, foram presos nesta quarta-feira (9) sob suspeita de envolvimento no assassinato de Fabrizio Piscitelli, conhecido como “Diabolik” e ex-líder da torcida organizada “Irriducibili” da Lazio.
- Sete membros do clã Senese, da máfia Camorra, são presos em Roma por assassinato.
- Fabrizio Piscitelli, ex-líder de torcida da Lazio, foi morto em 2019 com um tiro na nuca por disputas de tráfico.
- Michele Senese e Leandro Bennato são apontados como líderes e organizadores do crime.
Piscitelli, o “Diabolik”, ganhou notoriedade por sua liderança na “Irriducibili” e por posições de extrema-direita, frequentemente associadas a episódios de racismo e antissemitismo. Ele foi assassinado em 2019 com um tiro na nuca, no Parco degli Acquedotti, região onde morava.
Motivação por trás do assassinato
Entre os detidos está Michele Senese, apontado como líder histórico do clã, suspeito de ter autorizado a execução. Segundo as autoridades italianas, Fabrizio Piscitelli mantinha ligações com o grupo, mas teria buscado independência no tráfico de drogas na região de Tuscolana, o que o tornou uma ameaça aos interesses da organização.
Além disso, Piscitelli não teria repassado uma parcela considerada adequada dos lucros, pagando apenas entre 2 mil e 3 mil euros por mês, apesar do grande volume de drogas comercializado pelo seu grupo. Essa conduta teria sido um dos estopins para o crime.
Quem são os envolvidos no crime?
Leandro Bennato é apontado como o principal responsável pela organização do homicídio. De acordo com a investigação, ele teria planejado a emboscada e coordenado a ação para eliminar Piscitelli, visto como um concorrente direto no lucrativo mercado de cocaína na capital italiana.
Os sete presos foram acusados, entre outros crimes, de homicídio com agravante mafioso, extorsão com armas de guerra, tentativa de homicídio e associação para o tráfico de drogas.
A complexa rede da máfia romana
A decisão judicial que embasou as prisões descreve os envolvidos como integrantes de organizações criminosas de alto nível, destacando uma disputa entre grupos ligados a Elvis Demce, ao grupo de Giuseppe Molisso e a Bennato, este último sob a influência do clã Senese. O juiz responsável pelo caso considera que essa rivalidade poderia gerar novos episódios de violência caso os suspeitos fossem libertados, dada a gravidade dos conflitos.
A investigação também revelou relações comerciais no setor de restaurantes entre integrantes dos grupos Senese e Caroccia. Em uma conversa de 2017, Vincenzo Senese teria deixado claro que não queria Piscitelli como sócio em um novo empreendimento, embora aceitasse utilizar seus contatos apenas para encontrar imóveis e oportunidades de negócio.
Como “Diabolik” foi morto?
Fabrizio Piscitelli, cujo apelido “Diabolik” homenageia um anti-herói cult dos quadrinhos, foi atraído para um encontro em um parque e morto com um tiro na nuca em 7 de agosto de 2019. Uma câmera de segurança registrou a emboscada, mas a baixa qualidade das imagens impediu a identificação do autor dos disparos. A arma usada no crime nunca foi localizada pelas autoridades.
No início deste ano, um tribunal de apelações anulou a pena de prisão perpétua imposta a um argentino, Raul Esteban Calderon, que havia sido condenado em março de 2025 em primeira instância pelo assassinato. A decisão de anulação reacendeu as esperanças de esclarecimento definitivo sobre o crime.