Comportamento

Mães da Praça de Maio impedem execução de ordem judicial na Argentina

Mães da Praça de Maio impedem execução de ordem judicial na Argentina

Hebe de Bonafini, chefe da organização Mães da Plaza de Mayo, em Buenos Aires, em 4 de maio de 2017 - AFP/Arquivos

As Mães da Praça de Maio impediram, nesta segunda-feira, a entrada em sua sede em Buenos Aires de um oficial da justiça para inventariar o arquivo da associação de defesa dos direitos humanos, no contexto de um processo de falência.

Apoiadas por centenas de manifestantes, as militantes impediram a passagem do oficial de justiça, que teve que se retirar sob escolta da polícia sem realizar a diligência.

As Mães haviam pedido que seus partidários fossem à sede localizada em frente ao Congresso da Nação em “defesa do arquivo histórico” da associação.

“Deram a ordem para quebrar a cerca. Não se preocupam com nada, estão quebrando o país”, disse a repórteres Hebe de Bonafini, presidente da organização humanitária que procura seus filhos desaparecidos durante a ditadura (1976-1983).

A associação foi declarada falida em junho de 2017, depois de uma ação movida por um ex-funcionário cobrando salários não pagos.

Bonafini acredita que a ordem judicial para entrar na sede é uma represália por sua oposição ao governo do presidente liberal Mauricio Macri.

“Este é o preço de ter dito desde o primeiro dia que ele era nosso inimigo, não estamos enganadas em nada”, observou a líder das Mães.

O advogado Daniel Truffat indicou que a ordem judicial era “para realizar o inventário na sede” sem remover qualquer documento do local.