Comportamento

Maduras, fashion e cheias de likes

Com milhares de seguidores nas redes sociais, as influenciadoras da maturidade mostram que não há limite de idade para dar conselhos sobre moda e estilo de vida

Crédito: Divulgação

ÍCONE Aos 65 anos, a blogueira americana Lyn Slater dita tendências em seu Instagram (Crédito: Divulgação)

IRREVERÊNCIA Os looks da artista australiana Jenny Kee, de 71 anos, surpreendem com estampas e muita cor (Crédito:Divulgação)

Elas têm estilo, gostam de criar, viajar e aproveitar a vida. Mulheres maduras, com mais de 60 anos, estão causando nas redes sociais. Com looks arrojados, as “vovós influencers” mostram que ficou para trás o tempo em que a idade avançada significava se tornar invisível. A americana Lyn Slater, de 65 anos, é um exemplo. Com um blog e uma página no Instagram chamada Icon Accidental, ela já tem 530 mil seguidores e suas postagens chegam a alcançar mais de 20 mil likes, números que não ficam nada para trás de blogueiras jovens. Lyn é moderna e suas fotos são profissionalmente produzidas dentro do conceito de “street style”: cabelos brancos com corte irreverente, modelitos esportivos e sociais arrematados com acessórios ousados, como brincos grandes, óculos, sapatos e lenços. Tão confiante quanto ela é a artista australiana Jenny Kee. Com 33 mil seguidores, seu perfil no Instagram é uma explosão de cores. Aos 71 anos, seu corte de cabelo meio raspado e com franjinha acompanha óculos de aros espessos vermelhos, quebrando os paradigmas das mulheres de sua idade.

LIBERDADE Com o Projeto 60 anos, Claudia Grande inspira mulheres a assumirem suas idades sem medo (Crédito:Divulgação)

Quem também surfa na onda das vovós fashion é o fotógrafo Ari Seth Cohen, de 35 anos, que criou um projeto sobre vitalidade na terceira idade. O Advanced Style já virou livro e documentário. “Eu queria mostrar é possível ser elegante, criativo e vital em qualquer idade”, diz ele em seu blog, no qual posta fotos de senhoras vestidas com muita atitude e looks coloridos ao lado de frases como “envelhecer é um privilégio”. O interesse pelo estilo de vida das mulheres de mais de 60 é tamanho que tirou das sombras a atriz e modelo Isabella Rossellini. Aos 66 anos, a filha da atriz Ingrid Bergman e do cineasta Roberto Rossellini voltou a arrumar trabalho recentemente. O curioso é que ela, ao completar 42 anos, perdeu o posto de garota-propaganda da grife de cosméticos Lancôme que ocupara por mais de uma década. Na ocasião, foi considerada “velha demais”. Agora, foi chamada para estrelar uma campanha da marca em que aparece sem retoques. Mais um sinal de que os tempos mudaram. Em defesa da beleza natural da mulher – mesmo que ela inclua rugas – Isabella se recusa a fazer cirurgias plásticas e aplicar botox.

Agora ou nunca

O sucesso nas redes sociais acompanha os movimentos que elevam a autoestima da mulher madura – e que começam a crescer também no Brasil. Um deles é o Projeto 60 anos, criado por Claudia Grande, de 61. Aos 58, após vencer um câncer, ela resolveu se reinventar a partir da corrida de rua. Para pedir incentivo aos amigos, criou uma página no Facebook em que postava suas experiências. Em uma semana, ganhou mil seguidores. Hoje, conta com uma equipe de 10 pessoas para acompanhar seus 574 mil fãs, na maioria mulheres que se veem na mesma situação, querem compartilhar experiências e assumir os cabelos brancos. “É uma liberdade, um jeito de falar ‘eu sou velha, mas sou bacana’ ”, diz ela, que aproveita o interesse dos seguidores para vender roupas e acessórios pela internet, além de promover passeios. O último, em Campos do Jordão, teve festa do pijama. Se depender dessas mulheres, o conceito de velhinhas que ficam trancadas em casa já foi para o espaço. O que elas querem é viver. “A gente tem uma certa urgência”, diz Claudia. “Eu não tenho tanto tempo sobrando na minha vida, a ampulheta virou. É agora ou nunca”, diz ela.