A Espanha informou, nesta terça-feira (27), que está monitorando a situação de um petroleiro que sofreu uma avaria no Mediterrâneo, mas que é alvo de sanções internacionais por supostamente pertencer à frota fantasma usada pela Rússia para exportar petróleo, evitando as restrições ocidentais.
O “‘Chariot Tide’, um navio com bandeira de Moçambique, navega atualmente a 7 nós com destino declarado em Tânger Med [no Marrocos], aós reparar a máquina”, informou à AFP uma fonte do Ministério dos Transportes espanhol.
A embarcação, com sanções da União Europeia e do Reino Unido por transportar petróleo russo, estava em 30 de dezembro em um terminal petroleiro no noroeste da Rússia, segundo dados de acompanhamento do tráfego marítimo da Global Fishing Watch.
Mais tarde, este petroleiro de 195 metros de comprimento, “ficou sem máquina em 22 de janeiro, quando navegava pelo Estreito” de Gibraltar, relatou a mesma fonte espanhola.
Inicialmente, as autoridades marroquinas assumiram a coordenação da assistência, mas um temporal “deslocou o navio para o leste pelo mar de Alborão”, entre a Espanha e o norte da África, até situá-lo a cerca de “33 milhas” náuticas [aproximadamente 60 km] da costa espanhola, provocando a intervenção do organismo encarregado da segurança marítima, acrescentou.
“A Espanha tem monitorado a situação a todo momento (…) e continuará fazendo-o até que o navio atraque em seu porto de destino”, informou a fonte, detalhando que o navio era “escoltado” por um navio de Salvamento Marítimo.
Consultada pela AFP, a fonte espanhola não quis revelar se o navio transportava petróleo russo sujeito a sanções.
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, os países ocidentais adotaram uma série de medidas dirigidas ao petróleo russo, que buscam limitar a receita para Moscou gerada por sua venda no exterior.
Cerca de 600 navios são sujeitos a sanções da União Europeia, suspeitos de fazerem parte desta frota fantasma (composta por até 1.400 embarcações, segundo estimativas), constituída pela Rússia para contornar estas restrições e manter suas exportações de petróleo.
Na semana passada, a França interceptou o “Grinch”, um petroleiro que consta da lista dos navios da frota fantasma russa, meses depois de uma operação similar contra o “Boracay”, no fim de setembro.
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