Macron solta o verbo: ‘Ou UE se torna potência, ou será varrida’

PARIS, 10 FEV (ANSA) – O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um alerta sobre o futuro da União Europeia: “ou o bloco se torna uma potência, ou será varrido”. Segundo ele, uma das soluções seria a criação de um “débito comum europeu” para financiar os “novos desafios econômicos mundiais”.   

“Desde que os relatórios [que apresentam soluções para a UE] escritos por Mario Draghi [em setembro de 2024] e por Enrico Letta [em abril de 2024], a China cresceu enormemente. Hoje possui um superávit de 1 trilhão de euros com o resto do mundo”, disse Macron em entrevista a sete jornais europeus nesta terça-feira (10).   

“A Europa precisa decidir se quer se tornar uma potência. Se continuarmos sendo um mercado aberto aos quatro ventos, seremos varridos para fora”, frisou o líder francês. Para ele, “a Europa é o fator de ajuste para o resto do mundo”.   

“A questão é se somos capazes de nos tornarmos uma potência econômica, financeira, militar e até mesmo democrática”, acrescentou.   

Na entrevista, Macron propôs seu projeto de “débito comum europeu”, que de acordo com ele, seria uma saída para acelerar o crescimento do bloco. A medida prevê um saldo de 1,2 bilhões de euros anuais destinado “a financiar os novos desafios econômicos globais”.   

Ele explicou que para isso, “seria necessário mobilizar a poupança privada, acelerar os programas europeus de titularização e criar uma união dos mercados de capitais”.   

O presidente da França também citou seus “quatro objetivos” para o avanço da UE, que passam pela simplificação do mercado único; pela diversificação comercial e redução dos riscos das dependências acumuladas ao longo dos anos; pelo protecionismo em setores como o siderúrgico; e o investimento em inovação.   

“Estamos focados na simplificação e na diversificação. Muitos se esquecem da preferência europeia e da necessidade de investimento europeu”, concluiu Macron, que também respondeu com “firmeza” a uma pergunta sobre a crise da UE com os Estados Unidos.   

“Ao nos depararmos com um ataque específico, creio que não devemos nos acovardar nem tentar chegar a um acordo”, disse ele, explicando que após o bloco negociar, em meados de 2025, a questão tarifária imposta por seu homólogo americano, Donald Trump, “as ameaças não acabaram”.   

“Todos os dias chegam ameaças sobre o setor farmacêutico ou digital. Tentamos a técnica de ‘buscar um acordo’ durante meses, mas não funcionou”, explicou Macron, citando como exemplo a questão energética.   

“Substituímos nossa dependência da [energia da] Rússia por uma dependência dos EUA que fornece 60% do nosso gás natural liquefeito”, falou. (ANSA).