O presidente francês Emmanuel Macron, que chegou a Vilnius na segunda-feira, se encontrará com a líder da oposição bielorrussa Svetlana Tijanóvskaya na terça-feira. Ela lhe pediu para desempenhar o papel de mediador na crise política em seu país.
Macron será o primeiro líder ocidental de alto escalão a se encontrar com a líder da oposição bielorrussa, exilada em Vilnius.
No domingo, na véspera de sua visita de três dias à Lituânia e à Letônia, Macron pediu a saída do presidente da Belarus, Alexander Lukashenko, apoiado por Vladimir Putin.
“O que está acontecendo na Belarus é uma crise de poder, um poder autoritário que não pode aceitar a lógica da democracia e se apega à força. É claro que Lukashenko deve sair”, disse Emmanuel Macron ao Journal du Dimanche.
Tanto a União Europeia como os Estados Unidos se recusam a reconhecer a eleição de Lukashenko, considerada fraudulenta, e condenam a repressão a uma onda de manifestações sem precedentes.
A polícia bielorrussa deteve outras 200 pessoas no domingo, quando milhares de pessoas protestaram novamente.
Nesta segunda-feira, em entrevista à AFP, Svetlana Tijanóvskaya pediu ao presidente francês para desempenhar o papel de mediador para resolver a crise política na Belarus.
“Precisamos desesperadamente de mediação para evitar que mais sangue seja derramado. O senhor Macron pode ser esse mediador, junto com os líderes de outros países. Ele pode influenciar Putin, com quem tem boas relações”, disse Tijanóvskaya à AFP.
Este primeiro encontro com um líder internacional será para Tijanóvskaya “uma confirmação importante”, ressaltou a oposição.
A Lituânia, que juntamente com outros Estados bálticos lançou um procedimento de sanções contra personalidades bielorrussas, espera o apoio do presidente francês.
A crise deve dominar as conversas do presidente francês nesta segunda-feira com seu homólogo lituano Gitanas Nauseda, que apoia a oposição bielorrussa.
A França pede uma transição pacífica no país que leve em conta a vontade da população, “evitando o risco de mais repressão ou mesmo a intervenção da Rússia”, segundo o Eliseu.
Além da crise na Belarus, os países bálticos também esperam que o presidente francês dê um forte apoio para enfrentar as pressões de Vladimir Putin.
O presidente francês também aproveitará a visita para se encontrar com tropas da OTAN na região, visitando a base lituana de Rukla, onde estão 300 soldados franceses integrados em um batalhão internacional da OTAN.