São Paulo, 8 – O presidente da França, Emmanuel Macron, informou pessoalmente à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que o país votará contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul na reunião decisiva do Conselho da UE, agendada para a sexta-feira, 9.
De acordo com informações da BFMTV, apesar das intensas negociações de última hora e das concessões oferecidas por Bruxelas, o chefe de Estado francês considera “impossível” assinar o tratado em sua configuração atual.
A confirmação da negativa francesa ocorre em um momento crítico, quando o executivo europeu tentava angariar apoio final para o pacto por meio da promessa de um aporte suplementar de € 45 bilhões para a Política Agrícola Comum (PAC).
Embora essa injeção de recursos e a promessa de salvaguardas pareçam ter sensibilizado o governo da Itália – que sinalizou apoio mediante a redução do gatilho de proteção para 5% -, Macron se manteve irredutível, refletindo a forte pressão interna exercida pelos agricultores franceses, que retomaram bloqueios de estradas nesta semana.
Diante da possibilidade de o acordo ser aprovado por maioria qualificada no Conselho, superando a oposição de Paris, o governo francês já desenha os próximos passos da batalha política e jurídica.
Em declaração à BFMTV, a ministra da Agricultura, Annie Genevard, diz ter apelado à mobilização dos deputados no Parlamento Europeu, onde o tratado precisará ser ratificado posteriormente.
Genevard mencionou explicitamente a estratégia de acionar o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para contestar o acordo.
Segundo a ministra, uma ação iniciada pelo Parlamento teria o poder de suspender a aplicação do tratado, diferentemente de uma ação movida por um único país.
Como fica o placar da posição europeia
A posição francesa lidera um bloco de resistência que ganhou reforços nas últimas 24 horas.
A Hungria e a Irlanda oficializaram que também votarão contra a proposta, citando riscos para o sustento de seus produtores rurais e a falta de garantias econômicas.
A matemática final da votação em Bruxelas dependerá da consolidação do voto italiano e da capacidade da Alemanha de garantir a coesão dos demais Estados-membros a favor do livre comércio com o bloco sul-americano.