Mny-Jhee

A soja é o principal produto de exportação do Brasil. Se o presidente da França, Emmanuel Macron, cumprir a ameaça que fez na semana passada, o mercado internacional se tornará menos abrangente para a já tão combalida economia do País. Macron, que acertadamente vem criticando o descaso do governo de Jair Bolsonaro em relação à preservação ambiental, declarou nas redes sociais que “continuar dependendo da soja brasileira é endossar o desmatamento da Amazônia”. A França compra anualmente cerca de dois milhões de toneladas da soja aqui cultivada. A fala de Macron deixou claro que o seu país, além de repudiar a negligência de Jair Bolsonaro no que diz respeito à floresta tropical, pretende também incentivar a plantação e o cultivo da soja no continente europeu. Vale lembrar que, apesar de a França não ser a maior compradora, é a Europa que responde pela importação de cerca de 20% do grão. Em resposta a Macron, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que “ele desconhece a produção que é feita no cerrado e no sul do País”. E procurou contornar o incontornável: “Isso faz parte do jogo político”. Sendo ou não uma jogada estratégica da política econômica francesa, a verdade é que o governo brasileiro somente agora começa a sentir os efeitos do desmatamento que promove ao ver seus laços econômicos sob risco de serem desfeitos.

Líder mundial

O Brasil voltou a ser o maior produtor mundial de soja no período 2019/2020 (superando, assim, os EUA).
A produção brasileira chegou a 125 milhões de toneladas  

SOCIEDADE
O País bate recorde em importações de armas

MIGUEL SCHINCARIOL

No Brasil, o número de armas importadas foi recorde em 2019. No ano passado, tal marca dobrou: 118,1 mil unidades. Em um balanço geral, tem-se que, nos 24 meses em que Jair Bolsonaro preside o País, as importações de armamentos chegaram a 178 mil peças — mais que o total acumulado nos últimos 22 anos.

Empenhado em incentivar o ingresso no Brasil de fabricantes estrangeiros, Bolsonaro tem fechado a mão para a estatal brasileira que produz artefatos do gênero. Em 2020 destinou R$ 213 milhões à Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel). Valor menor que o repassado por Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. Bolsonaro, sabe-se nos bastidores, não gosta de armamentos nacionais.

LIVROS
“O piolho viajante” de dom Pedro I

Divulgação

Acaba de desembarcar no Brasil, na internet, no formato de e-book, uma raridade da literatura portuguesa do século 19. Trata-se do livro “O piolho viajante”, escrito em 1821 por Antônio Manuel Policarpo da Silva. Conta a história de um piolho que “viajou” setenta e duas vezes por diversas cabeças lusitanas, em uma crítica às mazelas da sociedade da época. Aficionado por essa obra foi dom Pedro I (foto), o proclamador de nossa Independência, a ponto de ele usar o título “O piolho viajante” como um de seus pseudônimos, entre os tantos (mais de trinta) dos quais se valeu, para xingar desafetos em textos que enviava para jornais. A linguagem de Pedro I era bastante pesada, mas engraçada. Alguns rótulos que ele colava naqueles dos quais não gostava:

• “Pedaço d’asno”
• “Pés de chumbo”
• “Bazófio”
• “O senhor há de ferver em pulgas”

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POLÍTICA
Viúva de Marielle torna-se vizinha de Carlos Bolsonaro

O destino às vezes é demasiadamente excessivo em sua ironia. Monica Benicio, viúva de Marielle Franco, executada por milicianos, elegeu-se vereadora nas eleições do final do ano passado. O seu gabinete, em prédio anexo ao da Câmara, é o de número 904. O seu vizinho, do 905, é Carlos Bolsonaro. Eles se atraem tanto quanto polos magnéticos idênticos de dois imãs.

Divulgação
O destino às vezes é demasiadamente excessivo em sua ironia. Monica Benicio, viúva de Marielle Franco, executada por milicianos, elegeu-se vereadora nas eleições do final do ano passado. O seu gabinete, em prédio anexo ao da Câmara, é o de número 904. O seu vizinho, do 905, é Carlos Bolsonaro. Eles se atraem tanto quanto polos magnéticos idênticos de dois imãs.

A tradução de um governo negligente

Militares costumam valorizar os símbolos da Pátria. Na semana passada, no entanto, o Brasil, mesmo tendo um capitão na Presidência da República e um general como vice, viu com tristeza o péssimo estado de conservação da Bandeira Nacional, hasteada na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Ela estava deteriorada, rasgada, rota. Para as Forças Armadas, isso é, no mínimo, constrangedor.


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