PARIS, 27 MAI (ANSA) – O presidente da França, Emmanuel Macron, reconheceu nesta quinta-feira (27) a “responsabilidade” de seu país no genocídio de Ruanda, ocorrido em 1994 e que durou 100 dias. O massacre deixou cerca de 800 mil mortos.
Em seu discurso em Kigali, o mandatário disse que a França “não foi cúmplice”, mas permitiu “que o silêncio sobre o genocídio permanecesse por tempo demais”. “Apenas aqueles que cruzaram a noite poderão talvez nos perdoar e dar-nos o presente do perdão”, disse ainda perante o memorial pelas vítimas.
“Que essa trajetória de reconhecimento das nossas dívidas crie a esperança de deixar esse período obscuro para trás e possamos caminhar novamente juntos”, acrescentou Macron, afirmando que se compromete a não permitir que “nenhum suspeito de crimes de genocídio escape da Justiça”.
Presente na cerimônia, o presidente de Ruanda, Paul Kagame, afirmou que o discurso de seu homólogo francês “foi de imensa coragem” e que “isso tem mais valor do que um pedido de desculpas”.
A viagem de Macron ao país africano quer marcar, de maneira simbólica, a normalização das relações diplomáticas entre os dois países, que foram rompidas há 25 anos. (ANSA).